As tropas federais da Nigéria iniciaram uma invasão ao território secessionista do Biafra, marcando o começo de uma sangrenta guerra civil que duraria três anos. O conflito resultou numa das maiores crises humanitárias do século XX, com a fome a tornar-se uma arma de guerra contra a etnia Ibo.
Na madrugada de 6 de Julho de 1967, o governo federal da Nigéria, liderado pelo General Yakubu Gowon, lançou uma ofensiva militar contra a autoproclamada República do Biafra. A região leste, rica em petróleo e habitada predominantemente pela etnia Ibo, tinha declarado independência em Maio do mesmo ano, sob a liderança do Coronel Odumegwu Ojukwu, citando perseguições étnicas e desigualdades na partilha de recursos.
A “operação policial” inicial rapidamente se transformou numa guerra total. O governo nigeriano impôs um bloqueio terrestre e marítimo rigoroso, isolando a região do Biafra. O impacto internacional foi imediato, com o conflito a tornar-se um campo de batalha por procuração durante a Guerra Fria: o Reino Unido e a União Soviética apoiaram o governo federal, enquanto a França e Portugal forneceram auxílio aos secessionistas.
O aspeco mais trágico deste dia 6 de Julho foi o início da espiral de violência que levaria à morte de entre um a três milhões de pessoas, a maioria por inanição. As imagens de crianças biafrenses famintas chocaram o mundo e deram origem à moderna indústria da ajuda humanitária, incluindo a fundação dos Médicos Sem Fronteiras. A guerra terminou em 1970 com a rendição do Biafra e a sua reintegração na Nigéria, mas as feridas étnicas e políticas abertas neste dia de Julho de 1967 continuam a influenciar a estabilidade da nação mais populosa de África e o debate sobre o direito à autodeterminação.

