A 16 de setembro de 1992, no evento conhecido como Quarta-feira Negra, o governo britânico cedeu à pressão especulativa e suspendeu a libra do Mecanismo de Taxas de Câmbio. O Tesouro autorizou a desvalorização da moeda em Londres, após o Banco de Inglaterra esgotar as reservas cambiais, alterando a política financeira internacional do país.
A 16 de setembro de 1992, os mercados financeiros internacionais protagonizaram uma vaga sem precedentes de ordens de venda da libra esterlina, culminando no evento histórico designado por Quarta-feira Negra. O Reino Unido integrara o Mecanismo de Taxas de Câmbio do Sistema Monetário Europeu em outubro de 1990, assumindo a obrigação de manter a sua moeda dentro de uma margem estreita de flutuação face ao marco alemão e às restantes divisas comunitárias.
No decurso daquela quarta-feira, operadores e fundos de investimento cambial, liderados por gestores como George Soros através do Quantum Fund, exploraram a desproporção entre a cotação oficial da libra e a realidade da economia britânica, que se debatia com recessão e elevada inflação. Antecipando que o Tesouro não conseguiria sustentar indefinidamente o limite inferior da banda de flutuação, os investidores desencadearam vendas maciças a descoberto.
Para travar a hemorragia, o Banco de Inglaterra despendeu milhares de milhões de libras das suas reservas líquidas em moeda estrangeira. Adicionalmente, o executivo de John Major anunciou aumentos sucessivos da taxa de juro básica, elevando-a primeiro de 10% para 12% e logo de seguida para 15%. As medidas revelaram-se totalmente ineficazes. À noite, o chanceler do Tesouro, Norman Lamont, comunicou oficialmente a suspensão temporária da divisa britânica no mecanismo europeu e o retorno à flutuação livre, consumando uma perda orçamental bilionária.
Redação | Fotografia: George Soros, o investidor que “quebrou” o Banco de Inglaterra.

