Há uma semana, tudo estava calmo no BCP. Os problemas na Polónia pareciam estar a caminho da resolução pacífica, as históricas dificuldades na Grécia eram uma miragem e os investidores promoviam um período de paz nos mercados apoiado pelo bom ambiente interno.
No espaço de alguns dias, um vendaval de rumores mudou tudo e mergulhou o Millennium num mar de dúvidas que está a deixar até a CMVM em maus lençóis.
Tudo começou com uma notícia do Jornal de Negócios: o económico nacional garantiu que o BCP estava interessado no Novo Banco e entretanto surgiram mais dados que parecem indicar que a vontade de comprar é real. Ao contrário do que seria de esperar, os investidores do Millennium mostraram-se pessimistas com o pedido de informações.
Apreensivos com as dificuldades financeiras não resolvidas e com a instabilidade crescente, os acionistas mostraram sinais de inquietação e os especuladores atacaram. As vendas a descoberto tornaram-se um vírus para os títulos do Millennium BCP e a CMVM viu-se forçada a bloquear este tipo de transações, o famoso ‘shortselling’ (o investidor vende uma ação que não detém com o compromisso de a voltar a comprar mais tarde, esperando ganhar dinheiro com uma queda dos títulos).
O congelamento acabou por limitar as perdas depois de uma queda de 10% no dia seguinte à divulgação da notícia no Negócios, mas entretanto voltou o pessimismo e o regulador dos mercados anunciou novo bloqueio às vendas a descoberto “por um período adicional de dois dias de negociação”, ou seja até quarta-feira.
Depois das perdas imparáveis nos últimos dias da semana passada, agravadas pelo colapso de quase 8% na sessão de ontem, o Millennium BCP espera que a segunda intervenção da CMV no espaço de uma semana seja suficiente para estancar a hemorragia.

