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SIRESP: CAIXA NEGRA “ARRASA” SIRESP

As comunicações falharam quase por completo na ajuda às populações e provocaram o caos no momento inicial de combate ao incêndio de Pedrógão Grande. O Público e o Jornal de Notícias referem nas respectivas edições impressas desta terça-feira que as várias entidades envolvidas no combate não conseguiram comunicar de forma efetiva entre si. Os dois jornais tiveram acesso ao Sistema de Apoio à Decisão Operacional (SADO) da ANPC, que funciona como a “caixa negra” de um avião, permitindo reconstituir a sucessão de eventos naquele dia, bem como traçar a linha temporal das decisões operacionais. Esta “fita do tempo” foi entregue ao primeiro-ministro na semana passada, na sequência do pedido de explicações enviado pelo Governo à ANPC. No seguimento cronológico a que tiveram acesso os dois jornais, o primeiro sinal de emergência chega às 19h45 de sábado. O 112 informa que três pessoas estão numa habitação cercada pelas chamas e o Corpo de Bombeiros de Pedrógão Grande informa ter ficado sem sinal de baixa frequência.

Cinco minutos mais tarde, mais duas pessoas que necessitam de ajuda urgente, e mais uma vez o contacto entre as entidades envolvidas no combate ao incêndio falha. Mais de uma hora depois, ainda no sábado, o Centro Nacional de Operações de Socorros contacta Ulisses Pinto, chefe da Divisão de Informática e Comunicações da Proteção Civil, no Departamento de Intervenção em Catástrofes. É pedido o reposicionamento de antenas SIRESP na zona de Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos.

Ao longo de toda a noite, são registados os casos de pelo menos dez pessoas que não tiveram a ajuda solicitada ou tiveram ajuda tardia. Em vários momentos, as entidades envolvidas no combate e assistência não conseguiram estabelecer contacto entre si. A “caixa negra” vai revelando nestas horas a existência de “quebras constantes” da rede SIRESP e a própria “saturação das comunicações” é admitida num dos momentos.

Na longa cronologia de acontecimentos delineada no Público e no Jornal de Notícias, surge também a revelação que uma avaria deixou o veículo repetidor SIRESP/PSP imobilizado durante as primeiras horas do incêndio de Pedrógão, ficando reparado apenas durante a madrugada de domingo.

Ainda na noite de sábado, os bombeiros decidem mesmo começar a contactar pelos seus antigos meios de comunicação, a rede ROB, na sequência das falhas do SIRESP.

Pouco depois da 01h00, surge a primeira referência à Estrada Nacional 236, onde morreram 47 pessoas, onde é pedido o “levantamento” das vítimas mortais, que impossibilitavam naquela altura a circulação dos meios de combate.

Também na madrugada de domingo, o Comando Distrital de Operações de Leiria pedem que se insista junto da PT para a resolução dos problemas de rede e Internet. Registam-se ainda nesta caixa negra os problemas na tentativa de acesso a combustível pelos Bombeiros de Setúbal que ajudam no combate ao incêndio.

Até ao momento, as falhas no Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) tinham sido admitidas por vários elementos da Proteção Civil, mas não a este nível. Um dos comandantes chegou a garantir que nenhuma falha tinha sido superior a um minuto, refere o jornal Público.

Numa carta enviada na semana passada ao primeiro-ministro, a ANAC admitia falhas no sistema de comunicações, registadas a partir das 19h45 de sábado até “dia 20 de junho”, ou seja, quatro dias após o início dos incêndios.

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