As autoridades portuguesas estão a investigar as decisões da antiga Portugal Telecom por suspeitas de movimentos ilícitos, desde meados da década passada até à venda da empresa à Altice. Fonte oficial da Procuradoria-Geral da República avançou ao Público que a venda “não é objecto de investigação neste momento”.
O Ministério Público está a analisar as decisões da operadora, dos gestores e accionistas, num inquérito que decorre em Portugal e no Brasil e que faz tocar os processos Operação Marquês e Lava Jacto – tendo a fusão da PT com a OI como pano de fundo e Otávio Azevedo como fonte. De acordo com o diário, o antigo presidente da Oi, em representação da construtora Andrade Gutierrez e que era administrador da operadora em 2014, assinou uma delecção premiada e tornou-se uma das melhores fontes de informação para o juiz Sérgio Moro. E muita da informação partilhada pode também interessar ao responsável pela Operação Marquês, Rosário Teixeira. De acordo com o diário, é provável que o MP acabe a extrair uma certidão autónoma para apurar se houve gestão danosa na PT, além de eventuais crimes de corrupção.
Um dos principais objectivos da investigação é tentar compreender como a maior empresa portuguesa, que chegou a ter excedentes de tesouraria de mais de 3 mil milhões de euros, não resistiu à perda de 987 milhões de euros da exposição ao Grupo Espírito Santo, em Julho de 2014.
Uma das explicações estará no acordo firmado com a OI em 2010, pois os 5,4 mil milhões de euros investidos na operadora brasileira valem menos de 200 milhões. As outras passarão pelo facto de a PT, que financiava grande parte dos projectos, ter acabado a ser usada por políticos, accionistas e gestores de empresas para benefício próprio.


