A bastonária da Ordem dos Enfermeiros denunciou contratos “pouco transparentes” entre o hospital São João e as empresas que fornecem os contentores onde estão instaladas a pediatria e a neurocirurgia, aludindo a “milhares de euros” gastos por mês. Ana Rita Cavaco pediu investigação às autoridades. MP diz agora que está a recolher elementos para decidir abertura de inquérito.
O Ministério Público (MP) está a “recolher elementos” sobre os contratos entre o hospital São João e as empresas que fornecem os contentores onde estão instaladas a pediatria e a neurocirurgia. A averiguação do MP tem por objectivo decidir a abertura de um inquérito e surge depois de a Bastonária dos Enfermeiros ter pedido uma investigação a estes contratos de aluguer custam milhares de euros por mês ao Estado e, segundo Ana Rita Cavaco, têm sido adjudicados sempre à mesma pessoa, apesar de o nome da empresa mudar sistematicamente.
“O Ministério Público encontra-se a recolher elementos com vista a decidir se há procedimentos a desencadear no âmbito das respetivas competências”, revelou ao Jornal Económico fonte oficial da Procuradoria Geral da República (PGR) quando questionada se o Ministério Público vai investigar a denúncia da bastonária da Ordem dos Enfermeiros que foi tornada pública nesta quinta-feira, 26 de abril.
Em entrevista à agência Lusa, Ana Rita Cavaco pede às autoridades que investiguem os contratos entre o hospital São João e as empresas que fornecem os contentores onde estão instaladas a pediatria e a neurocirurgia, aludindo a “milhares de euros” gastos por mês.
A bastonária refere que “o nome das empresas [contratadas] muda sistematicamente”, mas “a pessoa é sempre a mesma”, lembrando que se trata de dinheiro de todos os contribuintes e por isso pede às autoridades que investiguem.
“Aqueles contentores custam milhares de euros por mês ao Estado. Se calhar já tínhamos construído outro hospital de São João ao longo destes anos com aquele dinheiro. O mais engraçado é olhar para o nome das empresas a quem os contentores são contratualizados. A pessoa é sempre a mesma, mas o nome da empresa muda sistematicamente”, afirmou Ana Rita Cavaco.
Esta responsável realça que “nesta altura, em que falamos tanto de corrupção e que há eventualmente processos pouco transparentes, gostava que alguém fosse investigar esta questão”.
Segundo o portal da contratação pública, o Centro Hospitalar de São João estabeleceu em 2016 contratos por ajuste direto para “renovação dos serviços de aluguer de contentores” no valor acima de 390 mil euros.
Em 2017, os contratos de aluguer de contentores atingiram cerca de 700 mil euros.
Os contentores instalados no hospital São João têm sido alvo de polémica, sobretudo após denúncias de falta de condições de atendimento e tratamento de crianças com doenças oncológicas.
A administração do hospital já reagiu à denúncia da bastonária da Ordem dos Enfermeiros ao garantir que os processos de renovação de alugueres dos contentores cumprem a legislação em matéria de contratação pública.
Lígia Simões | JE

