A tomada de posse dos órgãos autárquicos de Bragança ficou marcada por uma reviravolta imediata na Assembleia Municipal (AM). Jorge Novo, do PS, que venceu as eleições diretas para a AM (conquistando 20 deputados contra 18 do PSD), foi derrotado na eleição para a presidência do órgão. O cargo será ocupado por Eduardo Malhão, do PSD, graças à maioria esmagadora de presidentes de junta social-democratas (34), que também têm assento e voto.
Minutos após a instalação oficial dos eleitos, o PSD avançou com uma candidatura de Eduardo Malhão à presidência da AM, desafiando o vencedor do voto popular. Na votação secreta, que inclui os 38 deputados eleitos e os 39 presidentes de junta, Malhão conquistou 42 votos, contra 32 de Jorge Novo. Registraram-se ainda quatro votos em branco e um nulo.
Este resultado cria um cenário de “coabitação” política inédito na história recente do concelho, com Isabel Ferreira (PS) a liderar a Câmara Municipal e Eduardo Malhão (PSD) a presidir à Assembleia Municipal.
Em declarações aos jornalistas, o socialista Jorge Novo lamentou o desfecho. Embora reconhecendo ser “a democracia a funcionar”, criticou o facto de o resultado “não corresponder de modo algum à expressão de voto” dos cidadãos. Jorge Novo criticou ainda o processo: “Fiquei bastante triste, porque […] nem isso me deixaram apresentar [as propostas], uma vez que no momento para o fazer, remeteram para o plenário de assembleia, para votação”. Garantiu, no entanto, que continuará a desempenhar funções como deputado municipal.
Contactado pela Lusa, o recém-eleito presidente da Assembleia Municipal, Eduardo Malhão, remeteu declarações para mais tarde.
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