Terminou de forma pacífica o incidente no posto da GNR de Felgueiras. Sérgio Ribeiro, o militar que se encontrava barricado desde a tarde de terça-feira, entregou-se às autoridades por volta das 07h40 desta quarta-feira, colocando fim a mais de 16 horas de tensão e negociações.
O desfecho foi confirmado pelo capitão Mendes dos Santos, oficial de Relações Públicas da GNR, que adiantou aos jornalistas presentes no local que o militar se encontra bem de saúde, “sem qualquer mazela”. A rendição foi fruto de um longo processo de diálogo mantido pelos negociadores da GNR e pela equipa de Operações Especiais (COE).
Motivos do protesto
O militar barricou-se numa sala do posto cerca das 15h00 de ontem, munido de uma arma pessoal e ameaçando suicidar-se. A ação foi um protesto contra um mandado de detenção para cumprimento de uma pena de 13 anos de prisão efetiva. Sérgio Ribeiro foi condenado por crimes de burla qualificada a idosos, num valor global que ascende aos 400 mil euros.
A defesa do militar, a cargo do advogado Paulo Gomes, alega que a detenção foi prematura. O causídico sustenta que a decisão “não transitou em julgado” devido à existência de recursos pendentes de coarguidos, tendo tentado, durante a madrugada, mediar a rendição do cliente.
Crime e Destino
O processo judicial que envolve Sérgio Ribeiro remonta a uma investigação sobre burlas a idosos, cujos proveitos terão financiado uma vida de luxo ostentada pela família nas redes sociais. A esposa do militar, auditora de justiça, e os pais deste também foram condenados no mesmo processo, mas a penas suspensas. A sentença original foi proferida pelo Tribunal de Guimarães em 2022 e confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça em março de 2025.
Após a rendição, Sérgio Ribeiro encontra-se sob custódia e será conduzido ao Estabelecimento Prisional Militar de Tomar, unidade destinada ao cumprimento de penas por parte de militares da GNR e das Forças Armadas.

