O Município de Bragança promove, em simultâneo, os eventos “Tradições de Inverno: Butelo, Casulas & Caretos” e a “Mascararte – XII Bienal da Máscara”. As iniciativas, que decorrem na primeira quinzena de fevereiro, visam valorizar o património imaterial e a identidade transmontana.
Por: Vítor Fernandes (Diretor de Informação)
A cidade de Bragança prepara-se para receber dois eventos de referência no calendário cultural e turístico da região. Entre os dias 12 e 17 de fevereiro, o município cruza a gastronomia tradicional com os rituais das mascaradas, através da realização conjunta do certame “Tradições de Inverno: Butelo, Casulas & Caretos” e da “Mascararte – XII Bienal da Máscara”.
A edição de 2026 de “Tradições de Inverno” apresenta um crescimento estrutural face aos anos anteriores. O evento, centralizado na Praça Camões, contará com 54 expositores, um aumento de 12 presenças em comparação com 2025, e ocupará uma área superior em cerca de 750 metros quadrados, distribuída por zonas de exposição, restauração e showcooking.
A valorização dos produtos endógenos é reforçada pela “Semana Gastronómica das Tradições de Inverno”, que teve início a 6 de fevereiro e se estende até ao dia 17. A iniciativa envolve 23 restaurantes do concelho, tanto em meio urbano como rural, que apresentam ementas dedicadas ao butelo e às casulas. O programa gastronómico na Praça Camões inclui demonstrações culinárias protagonizadas por chefs como Óscar Geadas, Hélio Loureiro e Marco Gomes, bem como por alunos da formação profissional do Agrupamento de Escolas Abade de Baçal.
Bienal da Máscara reforça dimensão ibérica
Paralelamente, regressa a “Mascararte – XII Bienal da Máscara”, um evento que se realiza desde 2003 e que posiciona Bragança como um centro de reflexão sobre as tradições rituais da Península Ibérica. Sob o tema “Máscaras: Símbolos de Identidade”, a programação inclui conferências, exposições e lançamentos literários.
A abertura oficial da Bienal, agendada para 12 de fevereiro, ficará marcada pela apresentação do livro “Inverno Mágico – Ritos e Mistérios Raianos, volume III”, de António Tiza. A dimensão internacional do evento é assegurada pela conferência “A Máscara como Símbolo de Identidade no Folclore Peruano”, com a participação de Doris Renata Teodori de la Puente, gestora cultural do município de La Molina, no Peru.
Desfile e rituais de encerramento
Um dos momentos centrais da programação conjunta ocorre no sábado, 14 de fevereiro, com o desfile de caretos e mascarados nas ruas do Centro Histórico. A organização estima a presença de cerca de 1000 participantes, incluindo grupos de Portugal e Espanha, escolas e instituições locais. O cortejo culmina com o espetáculo da “Queima do Mascareto”, junto ao Castelo de Bragança, um ritual contemporâneo que simboliza a catarse coletiva e a renovação.
O ciclo de festividades encerra no dia 18 de fevereiro, quarta-feira, com a recriação da tradição secular do “Diabo, Morte e Censura”, um ritual antigo associado ao ciclo de inverno que percorrerá a cidade desde a zona Polis até ao Castelo.
Segundo a autarquia, esta estratégia de realização simultânea pretende afirmar o território na valorização do património cultural imaterial, unindo a gastronomia e o ritual como dimensões complementares da identidade da região.
Vítor Fernandes (Diretor de Informação)

