As recentes tempestades deixaram um rasto de destruição nas florestas portuguesas que pode traduzir-se num aumento drástico do risco de incêndios no próximo verão. Especialistas alertam que a acumulação de milhares de toneladas de biomassa — como ramos partidos e árvores arrancadas — elevou em cerca de 50% o combustível disponível no solo.
Paulo Fernandes, investigador da UTAD, sublinha que este material fino irá secar rapidamente com a subida das temperaturas, criando condições para fogos de propagação incontrolável. Em algumas áreas, o combustível acumulado pode atingir as 15 toneladas por hectare, um valor muito acima do limite a partir do qual o combate aos incêndios se torna ineficaz.
Perante este cenário, associações como a Zero e especialistas do Instituto Superior de Agronomia defendem uma intervenção imediata. A estratégia proposta passa por um plano de limpeza urgente para remover o máximo de material possível, aliado à criação de mosaicos de gestão que introduzam descontinuidades na paisagem.
Além do risco de fogo, a madeira morta acumulada favorece a proliferação de pragas, o que poderá comprometer a sanidade florestal nos próximos anos.
Com o verão de 2026 no horizonte, a mensagem da comunidade científica é clara: a prevenção não pode esperar e a remoção desta biomassa é vital para evitar que as tempestades de inverno se transformem em tragédias de fogo na época estival.
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