A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirmou esta quarta-feira que o Governo não conseguirá cumprir a meta de atribuir um médico de família a todos os utentes até 2027.
Durante a inauguração da requalificação do centro de saúde de Fátima, a governante justificou o adiamento com o aumento constante de novos inscritos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), referindo que a chegada diária de novos cidadãos a Portugal cria um desafio demográfico complexo.
Apesar de manter a ambição como prioridade política, a ministra não avançou com uma nova data concreta para a universalização deste serviço, sublinhando que o foco passará pelo reforço das Unidades de Saúde Familiar de modelo B e por soluções alternativas como o projeto “Bata Branca”.
Ana Paula Martins aproveitou a ocasião para abordar a descentralização de competências, defendendo a necessidade de “recalibrar” as transferências para as autarquias, de modo a garantir contrapartidas financeiras e de decisão efetiva.
A obra no centro de saúde de Fátima, orçada em 1,8 milhões de euros e financiada pelo PRR, foi enaltecida pelo poder local, embora o presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, tenha alertado que o concelho ainda regista cerca de 16 mil utentes sem médico de família atribuído.

