Uma investigação liderada pela Universidade Médica de Cantão, na China, revelou uma nova abordagem terapêutica para a doença de Alzheimer, focada no reforço do sistema glinfático, o mecanismo de eliminação de resíduos do cérebro.
O estudo, publicado na revista “New Scientist”, centrou-se no bloqueio do recetor DDR2, uma proteína raramente encontrada em tecidos saudáveis, mas presente em níveis elevados no cérebro de doentes com Alzheimer. Ao utilizarem um anticorpo monoclonal para bloquear este recetor em ratinhos, os cientistas conseguiram reduzir a acumulação de proteínas tóxicas e registar melhorias significativas nos testes de memória e aprendizagem dos animais.
Apesar do entusiasmo com os resultados, a comunidade científica internacional apela à cautela. Especialistas de Harvard e da Fundação Novo Nordisk sublinham que a reversão da doença em humanos permanece uma incógnita e que os modelos animais utilizados representam formas hereditárias raras da patologia.
Atualmente, a equipa de investigadores está a desenvolver ensaios clínicos para monitorizar o DDR2 em humanos e a trabalhar em versões mais pequenas do anticorpo, capazes de atravessar com maior eficácia a barreira hematoencefálica, procurando uma solução para uma doença que afeta mais de 55 milhões de pessoas no mundo.
