Um relatório da UNICEF revela que quase todas as crianças no mundo enfrentam riscos climáticos, com 1,8 mil milhões ameaçadas pela seca e 1,2 mil milhões pelo calor extremo. O documento insta os governos a investir na adaptação de infraestruturas para proteger as gerações futuras.
O relatório “Children’s Climate Risk Report” detalha que 1,1 mil milhões de menores estão sujeitos a pelo menos três riscos climáticos sobrepostos. Esta convergência de fatores, que inclui inundações, secas e ondas de calor, cria uma “cascata perigosa” suscetível de colapsar os serviços sociais e as capacidades de resposta governamental. Além dos fenómenos meteorológicos, a análise integra o impacto da poluição atmosférica e de doenças transmitidas por vetores, como a malária, que afeta mil milhões de crianças, predominantemente em África.
A vulnerabilidade é acentuada em setores como a educação, tendo os riscos climáticos interrompido a escolaridade de 242 milhões de alunos em 85 países durante o ano de 2024. Países como a Somália, Madagáscar e Paquistão figuram entre os mais expostos, enquanto nações dependentes da agricultura, como o Bangladesh ou a Nigéria, registam os maiores índices de exposição à seca. O UNICEF alerta que o stress hídrico deverá intensificar-se em países encravados, como o Botsuana, exigindo uma gestão de desastres mais robusta e eficaz.

