O número de queixas por furtos cometidos por carteiristas aumentou 7% nos primeiros cinco meses de 2026, totalizando 2.867 participações. Segundo dados da PSP, a subida de crimes contrasta com a descida de 18% nas detenções, num cenário marcado pela elevada mobilidade de grupos internacionais.
Entre janeiro e maio de 2026, as autoridades portuguesas registaram 2.867 queixas por furtos praticados por carteiristas, um aumento de 7% face ao período homólogo de 2025. Contudo, os dados da Polícia de Segurança Pública (PSP) revelam uma tendência inversa na eficácia repressiva, com as detenções a caírem 18% e a identificação de suspeitos a recuar 9%.
Esta discrepância é atribuída à elevada mobilidade de grupos criminosos itinerantes que operam em várias capitais europeias, dificultando a interceção por parte das forças de segurança.
O fenómeno concentra-se sobretudo em Lisboa, Porto e Algarve, incidindo em zonas de grande afluência turística e interfaces de transporte. Segundo a PSP, o perfil do criminoso evoluiu de um elemento isolado para células organizadas de três ou quatro pessoas. Estes grupos utilizam métodos de distração sofisticados, como o uso de mapas para abordar vítimas, visando prioritariamente dinheiro vivo e dispositivos eletrónicos.
A maioria dos suspeitos identificados provém da Europa de Leste e apresenta um elevado índice de reincidência, com alguns indivíduos a acumularem várias detenções pela prática do mesmo crime.
Para enfrentar esta problemática, a PSP mantém uma equipa especializada na Divisão de Investigação Criminal de Lisboa há oito anos, focada na vigilância e cooperação internacional. As autoridades reforçam a importância da prevenção, recomendando que os cidadãos mantenham os bens em bolsos interiores e as mochilas na parte frontal do corpo. A utilização de fechos reforçados é sugerida como barreira eficaz.

