Um estudo da organização ClimaMeter revela que as alterações climáticas induzidas pela atividade humana intensificaram as atuais temperaturas recorde na Europa entre dois a quatro graus Celsius. A investigação destaca que a variabilidade natural desempenhou apenas um papel secundário.
O calor extremo que afeta a Europa Ocidental, com especial incidência em junho de 2026, é significativamente impulsionado pelas emissões de gases com efeito de estufa. Segundo o projeto ClimaMeter, financiado pela União Europeia e pelo Centro Nacional Francês de Investigação Científica, as temperaturas atuais superam os registos da segunda metade do século passado sob condições meteorológicas idênticas. A análise detalhada aponta para aumentos específicos de 2,4 graus em Paris, 3,8 graus em Milão e quatro graus em Saragoça.
Os investigadores compararam a circulação atmosférica contemporânea com padrões semelhantes observados em décadas anteriores, concluindo que o sistema de circulação não é inédito. No entanto, o diferencial térmico associado a este padrão é agora substancialmente superior. Este cenário valida as conclusões do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, que tem alertado para o aumento da frequência e intensidade de fenómenos extremos resultantes da pegada carbónica global.
O relatório sublinha ainda que, na Europa Ocidental, os eventos de calor extremo estão a progredir a um ritmo superior ao antecipado pelos modelos climáticos vigentes. Esta discrepância sugere que as projeções futuras podem ter sido demasiado conservadoras, especialmente na região do Mediterrâneo, onde o aumento de eventos térmicos extremos poderá duplicar as estimativas atuais, exigindo um reajuste nas estratégias de adaptação climática.

