Uma sondagem revela que 56,8% das famílias com crédito à habitação em Portugal estão a reduzir despesas em lazer e bens não essenciais para acomodar o aumento das prestações mensais. Apesar do agravamento dos encargos, a maioria dos agregados ainda não tentou renegociar os contratos com a banca.
Segundo um estudo da Intercampus para o Negócios, Correio da Manhã, CMTV e NOW, a maioria dos portugueses com empréstimos bancários está a sacrificar o consumo para cumprir as obrigações financeiras da casa. Cerca de 56,8% dos inquiridos admitem já ter efetuado cortes ou planearem fazê-lo brevemente, face a 28% que não pretendem alterar os seus hábitos de consumo.
Os setores mais afetados por esta redução de gastos são a restauração, apontada por 82,1% dos inquiridos, seguida pelo vestuário e acessórios com 73,9%. As viagens não essenciais e os produtos culturais também sofrem quebras significativas, superiores a 60%. Em menor escala, os cortes atingem as férias, a utilização do automóvel e a própria alimentação, referida por 21,6% das famílias.
Este cenário é motivado pela subida da taxa de juro implícita, que se fixou em 3,065% em maio, elevando a prestação média para valores próximos dos 402 euros. O agravamento do custo de vida é ainda acentuado pela inflação, que atingiu os 3,3%, impulsionada pelos custos da energia. Contudo, apenas 23% dos titulares de crédito tentaram renegociar as condições do empréstimo junto das instituições bancárias, revelando uma preferência pelo corte direto no consumo em detrimento da revisão contratual.

