Após uma sangrenta guerra de oito anos contra a França, a Argélia proclama formalmente a sua independência, pondo fim a 132 anos de colonização francesa e alterando a geopolítica do Norte de África.
No dia 5 de Julho de 1962, a Argélia declarou oficialmente a sua independência da França, uma data escolhida simbolicamente para coincidir com o aniversário da invasão francesa de Argel em 1830. A proclamação ocorreu após um referendo nacional realizado dias antes, no qual cerca de 99% da população votou a favor da soberania. Este evento marcou o desfecho de um dos conflitos de descolonização mais brutais e complexos do século XX, a Guerra da Argélia (1954-1962).
O caminho para a liberdade foi consolidado pelos Acordos de Évian, assinados em Março desse ano entre o governo francês de Charles de Gaulle e a Frente de Libertação Nacional (FLN). A guerra causou centenas de milhar de mortos e provocou uma crise política profunda em França, levando à queda da Quarta República e ao regresso de De Gaulle ao poder. O conflito foi marcado por guerrilha urbana, tortura de ambos os lados e uma fractura social exposta entre os “pieds-noirs” (colonos europeus) e a maioria muçulmana.
Com a independência, mais de um milhão de cidadãos de origem europeia abandonaram o país rumo a França, temendo represálias. A Argélia emergiu como um símbolo de resistência para os movimentos anti-coloniais em todo o mundo, particularmente em África e no Médio Oriente. Ahmed Ben Bella tornou-se o primeiro presidente da nova república, enfrentando o desafio de reconstruir uma nação devastada por décadas de exploração e oito anos de guerra total. A data permanece como o marco mais importante do nacionalismo argelino.

