O economista e professor da London School of Economics, Ricardo Reis, defendeu esta manhã, em entrevista, uma redução estratégica dos impostos sobre o rendimento e sobre as empresas no próximo Orçamento do Estado. Reis sustenta que a margem orçamental deve ser utilizada para impulsionar a competitividade da economia portuguesa, alertando para os riscos de um modelo baseado apenas no consumo e na despesa pública
Numa intervenção que marca o debate económico desta segunda-feira, Ricardo Reis apresentou propostas concretas para a política fiscal portuguesa. Segundo o economista, a redução do IRS é fundamental para aliviar a pressão sobre a classe média e travar a fuga de talentos jovens, que continuam a procurar melhores condições salariais no estrangeiro. Reis argumenta que o atual sistema fiscal é punitivo para o trabalho qualificado, limitando o crescimento da produtividade nacional.
Além do imposto sobre as pessoas singulares, o professor universitário sublinhou a necessidade de baixar o IRC. Na sua visão, Portugal precisa de atrair investimento direto estrangeiro de alto valor acrescentado e de permitir que as empresas nacionais tenham maior capacidade de autofinanciamento para modernização e inovação. A proposta de Ricardo Reis surge num momento em que o Governo começa a desenhar as linhas mestras do próximo Orçamento do Estado, enfrentando pressões de vários setores para aumentar a despesa em serviços públicos como a saúde e a educação.
Contudo, Reis adverte que o equilíbrio das contas públicas não deve ser negligenciado. O economista sugere que qualquer descida de impostos deve ser acompanhada por uma reforma na eficiência do Estado, evitando o regresso a défices excessivos. O debate sobre se Portugal deve priorizar o desagravamento fiscal ou o reforço do investimento público promete dominar a agenda política e económica nos próximos meses, com esta intervenção de Ricardo Reis a posicionar-se como um argumento de peso a favor de um choque fiscal positivo.

