RÁDIO REGIONAL
REGIÕES

MOGADOURO: “BASTA DE PARQUES DE ENERGIA” – ANTÓNIO PIMENTEL

A Câmara Municipal de Mogadouro aprovou, por unanimidade, a sua oposição à instalação de novos parques fotovoltaicos e eólicos nas zonas de aceleração delimitadas no concelho. A autarquia transmontana fundamenta a decisão com o contributo já excessivo do território para a descarbonização nacional, exigindo o cumprimento do princípio da justiça territorial. O executivo reivindica ainda a validação municipal obrigatória das áreas a intervencionar e a criação de mecanismos diretos de compensação financeira.


Oposição à expansão de infraestruturas

De acordo com a deliberação municipal, o executivo opõe-se à implantação de novos parques fotovoltaicos e eólicos nos territórios do concelho delimitados como zonas de aceleração. Esta oposição exclui os projetos já existentes e aqueles que se encontram licenciados com estudo ambiental aprovado. A autarquia considera que o concelho já contribui em excesso para a redução das emissões e determinou o envio desta deliberação à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

Mogadouro acolhe atualmente infraestruturas de produção hidroelétrica, eólica e fotovoltaica, além de redes de transporte de muito alta tensão e subestações elétricas. A autarquia alerta que a delimitação de novas Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (ZAER) não pode basear-se exclusivamente na disponibilidade de recurso energético e de solo, ignorando o nível de ocupação energética já existente.


O princípio da “Justiça Territorial”

No documento submetido a consulta pública, o município sublinha a importância estratégica da transição energética, mas exige que a política nacional respeite o princípio da justiça territorial. O documento refere que os custos e os benefícios deste processo estão distribuídos de forma desigual, alertando que a aceleração do licenciamento não poderá significar a redução da proteção do território ou a concentração desproporcionada de infraestruturas nas regiões de baixa densidade.


Principais propostas de alteração ao PSZAER

A Câmara Municipal de Mogadouro apresentou um conjunto de exigências e propostas concretas de alteração ao documento governamental, destacando-se:

  • Criação do ICCET: A autarquia propõe a implementação de um Índice de Capacidade de Carga Energética e Territorial para avaliar a pressão acumulada de infraestruturas sobre cada município. Este índice ditaria a suspensão de novos procedimentos em territórios classificados com “carga crítica”.
  • Avaliação de Impactos Cumulativos: O município exige a avaliação obrigatória dos efeitos cumulativos de todos os projetos na mesma unidade territorial, englobando centrais, linhas elétricas, subestações e acessos.
  • Validação Municipal: A deliberação defende que a cartografia nacional das ZAER deve ter natureza indicativa até ser sujeita a aferição e validação obrigatória por parte dos municípios.
  • Compensações Financeiras: É proposta a instituição de um Fundo Municipal e Interfreguesias de Transição Energética. Este fundo seria financiado por contribuições obrigatórias dos promotores e destinado a apoiar o combate à pobreza energética, a conservação da natureza e o desenvolvimento local.
  • Proteção das Atividades Económicas e Paisagem: O município requer a salvaguarda de solos agrícolas produtivos, áreas de pastagem, percursos turísticos e património cultural, mesmo quando situados fora de zonas formalmente classificadas.

Autarquia: “Basta de Parques de Energia”

António Pimentel, presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, falou com a Rádio Regional no dia que a Autarquia aprovou, por unanimidade, o documento que reflete a posição do município transmontano no Programa Setorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (PSZAER).

“Mogadouro já deu um grande contributo para a descarbonização, basta de novos parques de energia e já transmiti a nossa posição na Associação Nacional de Municípios, à senhora Ministra do Ambiente e ao senhor Ministro da Coesão”, esclareceu António Pimentel à Rádio Regional.

A descarbonização é necessária, mas deve ser dividida pelo território, já chega o que temos instalado em Mogadouro (…) se Abrunhoso e Travanca avançarem, iremos usar de todos os meios para o impedir“, garantiu António Pimentel, que não excluiu o recurso a medidas legais.

O autarca foi categórico ao garantir que fará todos os esforços necessários para a defesa dos interesses do concelho de Mogadouro. Confrontado com o facto do Governo ser da sua cor política, o autarca garantiu que “Mogadouro é mais importante do que partidos politicos“.


Vítor Fernandes

Subscreva Gratuitamente a Rádio Regional no Google News.

VEJA AINDA:

“NORDESTE VIVO” DENUNCIA “INFORMAÇÃO ESCONDIDA” DOS CIDADÃOS

Vítor Fernandes

BRAGANÇA: RUI RIO DEBATE “A REFORMA DO REGIME” E A REGONALIZAÇÃO

Vítor Fernandes

CONSUMO DE ELETRICIDADE EM PORTUGAL ATINGE NOVOS MÁXIMOS HISTÓRICOS

Rádio Regional

MOGADOURO INVESTE 450 MIL EUROS EM NOVA CRECHE PARA 25 CRIANÇAS

Rádio Regional

TRÁS-OS-MONTES: OITO CONCELHOS EM PERIGO MÁXIMO DE INCÊNDIO RURAL

Rádio Regional

MIRANDA DO DOURO REJEITA NOVOS MEGAPROJETOS DE ENERGIA RENOVÁVEL

Rádio Regional

Deixe um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.