Um estudo internacional, publicado na revista Nature Sustainability, revela que grande parte da população sobrestima o impacto de ações familiares, como a reciclagem, na redução da pegada de carbono, enquanto subestima a eficácia de medidas com maior potencial para combater as alterações climáticas, como a redução de viagens de avião ou o consumo.
Os resultados da investigação evidenciam que, de facto, ações familiares e rotineiras, como a reciclagem de resíduos ou a redução do desperdício alimentar, são habitualmente apontadas como as mais significativas para diminuir a pegada de carbono individual. Contudo, em clara oposição a esta perceção, comportamentos com um impacto consideravelmente superior na mitigação das alterações climáticas – designadamente a redução de viagens de avião, a diminuição do uso do automóvel particular ou a moderação do consumo de carne vermelha – são consistentemente subvalorizados pela maioria da população inquirida.
Este desfasamento entre a perceção e a realidade é a principal conclusão do estudo internacional, recentemente divulgado na prestigiada revista científica Nature Sustainability. A investigação, que teve a participação de cerca de 3.000 adultos residentes nos Estados Unidos da América, foi conduzida por uma equipa multidisciplinar de investigadores provenientes da Universidade de Genebra, da Universidade de Basileia e da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia.
Os cientistas introduziram o conceito de “competência carbónica”, definido como o grau de conhecimento que cada indivíduo possui sobre a real eficácia das suas ações no combate às alterações climáticas.

