O relatório sobre a Disponibilidade Operacional e Global da rede de comunicação de emergência SIRESP hoje divulgado conclui que em 2017, ano de graves incêndios que provocaram dezenas de mortos, os valores “estão dentro dos intervalos contratualmente permitidos”.
“Em consequência da abordagem desenvolvida, pode concluir-se que não existe qualquer margem para a Entidade Gestora (SGAI) aplicar penalidades à Entidade Operadora (Siresp, S.A.) relativamente ao ano de 2017 com base no critério contratual de disponibilidade da rede”, refere o relatório hoje publicado no portal do Governo, depois de o ministro da Administração Interna ter reafirmado a sua disponibilidade para esclarecimentos no parlamento.
O ministro Eduardo Cabrita, reafirmou hoje, em Lisboa, os dados que tinha avançado no parlamento sobre as falhas no Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) em 2017, confirmando que as mesmas totalizaram cerca de 9.000 horas.
Segundo o documento publicado hoje e anunciado pelo MAI, a indisponibilidade global operacional verificada situou-se nas 8.968 horas, quando a contratualmente permitida é de 69.456 horas.
O documento esclarece que “a disponibilidade máxima da Rede SIRESP é de 21.926.280 horas por ano”.
Os valores calculados e apresentados pela empresa Siresp S.A. relativos a 2017 afirmam que a disponibilidade operacional da rede foi de 99,98%, percentagem idêntica à da disponibilidade global.
Com base em notícias do jornal Público de que o número de horas de indisponibilidade avançado pelo ministro no parlamento em 2018 estaria três vezes acima do registado, o PSD solicitou a consulta dos relatórios do SIRESP relativos aos incêndios de 2017 e o CDS-PP pediu a presença do ministro na Assembleia da República para prestar esclarecimentos.
Hoje, depois da conferência de imprensa do ministro para esclarecer este assunto, o CDS-PP, pela voz do seu líder parlamentar, declarou que quer ver aprovada “por unanimidade” a audição “urgente” do ministro da Administração Interna ao parlamento, para que esclareça as “contradições insanáveis, dúvidas perturbantes e incertezas” relativamente às falhas da rede SIRESP.
Por outro lado, a coordenadora do Bloco de Esquerda, parceiro da coligação governamental, disse hoje que ter o SIRESP controlado pela empresa de telecomunicações Altice é “um erro”, estando o Estado a pagar por um serviço “mal fornecido”.

LUSA

