O desconto de dez cêntimos por litro no gasóleo agrícola anunciado pelo Governo é considerado insuficiente por produtores transmontanos. No concelho de Vila Flor, empresários agrícolas alertam que a escalada de preços dos combustíveis e a falta de apoios adequados para pequenas explorações ameaçam a rentabilidade e a produtividade das colheitas.
O desconto de dez cêntimos por litro no gasóleo agrícola, anunciado pelo Governo para atenuar o impacto da subida dos preços dos combustíveis, está a revelar-se insuficiente para responder aos encargos do sector agrícola em Trás-os-Montes. A denúncia parte de vários empresários do distrito de Bragança, que alertam para o risco iminente de comprometer as produções locais.
No concelho de Vila Flor, Cristophe Monteiro, produtor dedicado ao cultivo, transformação e distribuição de amêndoa, aponta que o benefício governamental não supre as carências sentidas no terreno. O responsável salienta o peso duplo das despesas, uma vez que a atividade exige o recurso ao gasóleo agrícola nos trabalhos de campo e ao gasóleo rodoviário para o escoamento dos produtos. Cristophe Monteiro critica igualmente a tutela, sublinhando que as linhas de crédito e auxílios institucionais tendem a excluir as explorações de menor dimensão.
Para conter os custos crescentes, os agricultores da região têm sido forçados a espaçar e a reduzir os tratamentos fitossanitários aplicados nos pomares e nas searas. Esta decisão operacional acarreta impactos negativos diretos na produtividade e na sanidade das culturas a curto e médio prazo. A situação agrava-se com os preços praticados nos fatores de produção, como fertilizantes e adubos, colocando os operadores em situação de vulnerabilidade financeira diante da colheita.

