É neste contexto que o seguro de vida credito habitação assume uma função concreta: criar uma proteção financeira ligada ao valor ainda em dívida.
Esta proteção não elimina o impacto pessoal de uma situação grave, nem resolve todos os problemas financeiros que possam surgir. O seu papel é mais específico. Quando ocorre um sinistro previsto na apólice, o seguro pode permitir a liquidação total ou parcial do capital em dívida ao banco, reduzindo uma das maiores despesas fixas do agregado familiar.
Porque existe um seguro associado ao crédito da casa ?
Um crédito à habitação pode prolongar-se durante 20, 30 ou até mais anos. Quando o banco avalia a capacidade financeira de um cliente, olha para a realidade daquele momento: rendimentos, idade, estabilidade profissional, nível de endividamento e composição do agregado.
Mas nenhum desses fatores fica congelado durante décadas.
Imagine-se um casal em que ambos contribuem para uma prestação mensal de 900 euros. O orçamento foi organizado com base em dois salários. Se um deles deixar de existir ou se um dos titulares ficar permanentemente incapacitado para trabalhar, essa prestação pode tornar-se muito mais difícil de suportar.
O seguro de vida associado ao crédito procura responder precisamente a esse tipo de situação. Se estiverem reunidas as condições previstas no contrato, a seguradora paga o capital seguro, normalmente ao banco até ao montante em dívida.
Na prática, isto pode fazer a diferença entre continuar a ter uma casa sem o peso do empréstimo ou enfrentar, ao mesmo tempo, uma quebra de rendimento e uma obrigação financeira elevada.
Nem todos os seguros oferecem a mesma proteção:
É fácil olhar para duas propostas de seguro e comparar apenas o preço mensal. É também uma das formas mais simples de escolher mal.
Um prémio mais baixo pode corresponder a coberturas mais limitadas. Também pode resultar de diferenças na idade, profissão, estado de saúde ou capital seguro. Por isso, uma comparação séria começa pelas condições da apólice e não pelo valor que será debitado na conta no mês seguinte.
A cobertura de morte costuma ser a base destes seguros. É na invalidez que surgem algumas das diferenças mais relevantes.
Invalidez não significa sempre a mesma coisa:
Expressões como invalidez absoluta e definitiva ou invalidez total e permanente aparecem com frequência neste tipo de contratos. Apesar de poderem parecer semelhantes, não representam necessariamente a mesma proteção.
Uma cobertura pode exigir uma situação de incapacidade particularmente grave, enquanto outra pode ser acionada perante um grau diferente de incapacidade, desde que sejam cumpridos os critérios estabelecidos pela seguradora.
É aqui que vale a pena abandonar a leitura apressada das designações comerciais e procurar respostas concretas.
Que grau de incapacidade é exigido? É necessário ficar totalmente impossibilitado de exercer qualquer profissão? A cobertura depende de uma incapacidade relacionada com a atividade profissional habitual? Que documentação médica terá de ser apresentada?
Estas perguntas tornam-se muito mais importantes do que alguns euros de diferença no prémio.
O capital seguro deve acompanhar o empréstimo:
Um crédito à habitação vai sendo amortizado ao longo do tempo. Se hoje faltam pagar 180 mil euros, daqui a dez anos o valor em dívida será, em princípio, inferior.
O seguro deve acompanhar esta evolução.
Isto significa que o capital seguro associado ao empréstimo tende a diminuir à medida que a dívida é amortizada. O objetivo é manter uma relação adequada entre aquilo que continua a ser devido ao banco e o valor protegido pelo seguro.
Há, no entanto, situações em que convém confirmar se tudo ficou corretamente atualizado. Uma amortização extraordinária é um bom exemplo. O mesmo acontece depois de uma renegociação ou de alterações relevantes ao contrato de crédito.
São momentos em que uma consulta à documentação pode evitar que seguro e empréstimo sigam caminhos diferentes sem que ninguém repare.
O preço pode subir mesmo quando a dívida desce:
Existe uma ideia intuitiva que nem sempre se confirma: se o capital em dívida diminui, então o seguro deveria ficar progressivamente mais barato.
Na realidade, há duas forças a atuar em sentidos diferentes.
Por um lado, a seguradora está a cobrir um capital cada vez menor. Por outro, a idade das pessoas seguras vai aumentando e, com ela, pode aumentar também o risco considerado no cálculo do prémio.
O resultado depende da estrutura tarifária de cada contrato. Em alguns casos, a redução do capital pode compensar parte do efeito da idade. Noutros, o prémio pode subir de forma significativa ao longo dos anos.
Por isso, comparar propostas com base apenas no primeiro ano dá uma imagem incompleta. Para um compromisso que pode durar décadas, é mais útil perceber como poderá evoluir o custo ao longo do tempo.
As exclusões são parte da cobertura:
A atenção costuma concentrar-se naquilo que o seguro cobre. As exclusões recebem muito menos interesse, apesar de poderem determinar se existe ou não direito ao pagamento de uma indemnização.
Cada contrato define as situações que ficam fora da proteção. Também podem existir condições específicas relacionadas com doenças anteriores à contratação, determinadas atividades profissionais, práticas desportivas ou outras circunstâncias relevantes para a avaliação do risco.
O questionário preenchido antes da contratação também merece cuidado. Informação clínica ou profissional incompleta pode criar dificuldades mais tarde, precisamente quando é necessário acionar o seguro.
Preencher estes documentos com rigor e guardar uma cópia da proposta, das condições gerais, das condições particulares e de outros elementos contratuais não é excesso de zelo. Num crédito de longa duração, é uma forma simples de saber exatamente o que foi contratado.
O seguro do banco não tem de ser uma escolha automática:
Quando se pede uma simulação de crédito, é habitual receber também uma proposta de seguros. Para o cliente, o processo parece mais simples porque tudo fica tratado no mesmo local.
Ainda assim, isso não significa que a primeira proposta seja necessariamente a mais adequada.
Pode fazer sentido analisar alternativas fora do banco e comparar condições entre seguradoras. Empresas como a Metlife, entre outros operadores do mercado, disponibilizam soluções que podem ser avaliadas em função das necessidades de cada cliente e das exigências estabelecidas para o financiamento.
A comparação deve, porém, ser feita com algum cuidado.
Alguns contratos bancários associam determinadas condições do crédito, como uma redução de spread, à contratação ou manutenção de certos produtos. Mudar o seguro pode permitir pagar menos pela apólice, mas essa poupança perde interesse se provocar um aumento relevante no custo do empréstimo.
A conta certa é feita sobre o conjunto.
Seguro, spread, prestação, comissões e outras condições relacionadas com o crédito devem ser considerados em simultâneo. Isolar um único valor pode produzir uma poupança aparente que desaparece quando se olha para a despesa total.
A percentagem segura também faz diferença:
Outro detalhe que merece atenção é a percentagem de capital coberta para cada titular.
Num empréstimo contratado por duas pessoas, por exemplo, é possível encontrar diferentes formas de distribuir a proteção. Dependendo da solução contratada, cada titular poderá estar protegido por uma determinada percentagem do capital em dívida.
Isto tem consequências práticas.
Se ambos estiverem seguros por 100% do capital e ocorrer um sinistro coberto com um deles, poderá existir proteção suficiente para liquidar todo o montante ainda devido, de acordo com as condições do contrato.
Quando a proteção é inferior, o seguro poderá amortizar apenas parte da dívida.
Não existe uma solução universalmente certa. Um casal com rendimentos semelhantes pode olhar para este tema de forma diferente de uma família em que apenas uma pessoa assegura a maior parte do rendimento. O que interessa é perceber antecipadamente o que aconteceria à prestação se um dos rendimentos desaparecesse.
Um contrato para rever, não para esquecer:
É comum tratar do seguro no momento da compra da casa e nunca mais voltar ao assunto. Durante anos, o prémio é pago por débito direto e o contrato quase desaparece do radar.
Só que a vida financeira muda.
Os rendimentos sobem ou descem, surgem filhos, fazem-se amortizações, transfere-se o crédito para outro banco, muda-se de profissão ou altera-se a estrutura do agregado. Uma proteção contratada há quinze anos pode continuar adequada, mas também pode já não refletir a realidade da família.
Rever não significa mudar de seguro todos os anos. Significa saber o que está contratado e confirmar, de tempos a tempos, se continua a fazer sentido.
Também é útil saber onde estão guardados os documentos e explicar aos outros membros da família que proteção existe. Num momento difícil, ninguém deveria ter de começar por descobrir se havia um seguro, qual era a seguradora ou onde encontrar a apólice.
A prestação mensal é a parte mais visível do crédito à habitação. A rede de segurança que existe por detrás dela passa facilmente despercebida porque foi criada para uma situação que ninguém espera enfrentar. Ainda assim, compreender essa proteção enquanto tudo corre normalmente é muito mais simples do que tentar decifrá-la quando já é necessário utilizá-la.

