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AÇORES: ESPECIALISTAS SENSIBILIZAM POPULAÇÃO PARA ATIVIDADE VULCÂNICA

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A noite europeia dos vulcões realiza-se pela quarta vez nos Açores, esta sexta-feira, para alertar para cuidados a ter em caso de erupção e para lembrar, sem alarmismos, que o arquipélago é uma região vulcânica ativa.

“Pelo facto de não termos atualmente nenhum vulcão em erupção, às vezes pode haver a tentação de nos esquecermos de que estamos numa região vulcanicamente ativa, mas desde o povoamento das ilhas já ocorreram 28 erupções vulcânicas. A cada dia que passa aproxima-se o próximo evento”, adiantou, em declarações à Lusa, Fátima Viveiros, subdiretora do Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR).

“Não é para alarmismos, não é para criar pânico, é exatamente para ajudar a consciencializar as pessoas para aquilo que nós poderemos esperar na eventualidade de termos um sinal de reativação de um dos nossos sistemas vulcânicos”, acrescentou.

Organizada nos Açores pelo IVAR e pelo Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), a noite europeia dos vulcões é uma “oportunidade” para os investigadores mostrarem o que fazem e levarem a ciência ao público em geral.

Depois de três eventos presenciais, com mais de uma centena de participantes, em média, e de um ano de paragem devido à pandemia de Covid-19, este ano o evento é retomado em formato online, que “permite chegar a um público muito mais alargado”.

Numa altura em que o vulcão de Cumbre Vieja, em La Palma, nas Canárias, está em destaque na comunicação social, a investigadora do IVAR admitiu que haja maior curiosidade da população sobre este tema.

“Vemos erupções vulcânicas ocorrer diariamente no planeta, e algumas delas têm duração até de anos, mas esta das Canárias, estando mais próxima, num arquipélago que tem semelhanças com o nosso, e com as imagens dramáticas das pessoas a perderem todos os seus bens, não há como não estar desperto”, afirmou.

Segundo Fátima Viveiros, a entrada em erupção do vulcão de Cumbre Vieja é um exemplo de como, “apesar de estar tudo muito tranquilo, as coisas se podem alterar”.

Por isso, defendeu que a população dos Açores deve “ter conhecimento da sua região” e estar preparada para sismos e erupções vulcânicas.

“As crises sísmicas que antecedem os vulcões podem ocorrer e os elementos familiares não estarem todos juntos. É importante ter um plano familiar e um ponto de encontro”, recomendou.

A investigadora sugeriu ainda que cada família tenha à mão um dossiê com cópias dos documentos de identificação de cada elemento e uma lista dos medicamentos que cada um toma.

“São tudo pequenas coisas que nós, numa eventualidade de termos de sair de casa sem muito tempo para pensar, quanto mais tivermos coisas preparadas, melhor vamos reagir e com mais tranquilidade”, explicou.

Ainda que nos últimos anos não tenha ocorrido “muitos incidentes”, o crescimento do turismo nos Açores leva também os investigadores a alertarem para alguns cuidados a ter nas visitas a fumarolas e grutas ou nos trilhos pedestres que atravessam zonas onde que podem ocorrer movimentos de vertente.

“Estando cada vez mais as autoridades alerta para esses perigos, estão a vedar as zonas, não permitindo o acesso aos locais que são mais perigosos. Há uma diminuição do risco nesse aspeto, mas por outro lado estamos a aumentar o número de pessoas porque nos últimos anos os Açores têm vindo a ter um grande incremento, principalmente em algumas épocas do número de visitantes”, salientou Fátima Viveiros.

Na sexta-feira, a partir das 20h20 locais (21h20 em Lisboa), na página de Facebook do IVAR é possível assistir a três vídeos que vão explicar: como são monitorizados os vulcões dos Açores, como se devem visitar os vulcões em segurança e como se podem as pessoas preparar para uma eventual erupção vulcânica.

Entre cada vídeo, os investigadores do IVAR e do CIVISA estarão disponíveis para responder a perguntas.

“As pessoas têm dúvidas de quais são os vulcões ativos na sua área de residência, se pode acontecer algo semelhante a outras áreas, o que devem fazer, para onde devem ir. Normalmente há dúvidas”, adiantou a investigadora do IVAR.

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