Perante a intenção dos CTT em cortarem 800 trabalhadores, primeiro-ministro manifesta preocupação, mas diz que ainda não recebeu nenhum plano de reestruturação.
O Governo não tenciona nacionalizar os CTT, afirmou o primeiro-ministro, António Costa, durante o debate quinzenal desta quarta-feira no Parlamento.
“Não é nossa intenção nacionalizar os CTT”, declarou António Costa em resposta a uma questão levantada por Hugo Soares, do PSD, remetendo para o regulador, a Anacom, qualquer eventual alteração ao contrato de concessão.
Sobre a intenção dos CTT de cortar 800 trabalhadores nos próximos três anos, o chefe do Governo diz que ainda não recebeu qualquer plano de reestruturação, mas assumiu preocupação com o presente e o futuro da empresa.
Para António Costa, o importante é que o serviço postal universal continue a ser prestado.
O primeiro-ministro explicou que tem “visto as notícias nos jornais” e recordou que “há duas formas essenciais relativamente a redução de pessoas”.
“Uma não tem qualquer intervenção do Governo, que é a figura do despedimento colectiva. Outra é, no quadro da reestruturação, o aumento da quota das rescisões por mútuo acordo. Não nos chegou nenhum pedido até agora de aprovação de aumento da quota legalmente prevista para qualquer rescisão por mútuo acordo”, sublinhou.
António Costa recordou que “o Governo criou já um grupo de trabalho, conjuntamente com os governos regionais, com a ANAFRE [Associação Nacional de Freguesias] e com a Associação Nacional de Municípios para avaliar a forma como está a ser executado o serviço do CTT no seu dia a dia”.
Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, alerta que “o Governo não pode esperar para salvar os CTT quando os accionistas estão a fazer tudo para os destruir”.
“Os accionistas estão a pilhar os CTT. Os CTT servem o país se forem públicos”, disse a líder bloquista na sua intervenção inicial.
Na sua intervenção, o líder parlamentar socialista, Carlos César, acusou o anterior Governo PSD/CDS de ter privatizado os CTT sem garantias de serviço público e de defesa dos trabalhadores.
“Para o CDS, que anunciou, cito, ‘o falhanço rotundo da política económica’, temos o ‘par de óculos’, para lhe devolver, que a sua líder [Assunção Cristas] nos ofertou há precisamente um ano nesta Assembleia da República. Ao PSD, que, também aqui, dizia que ‘não estaremos no Natal de 2017 com as melhores razões para comemorar o ano político que então terminará’, lembramos, pela milésima vez, que mil vezes se enganaram, e que, assim continuando, mil vezes se enganarão”, disse Carlos César.

