Existem cerca de 100 mil pessoas com epilepsia em Portugal, mais do dobro do que indicavam os dados anteriores, e quase metade (43,7%) não tem um seguimento médico regular para a sua doença neurológica. As conclusões alarmantes são de um novo estudo epidemiológico, o EpiPort, divulgado esta terça-feira pela Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE).
O estudo, que envolveu um inquérito a mais de 10 mil pessoas em todo o país, aponta para uma prevalência de 9,76 casos por 1.000 habitantes, um valor 2,2 vezes superior ao do último estudo, realizado há 30 anos apenas no Norte. “Parecia que nós tínhamos uma prevalência menor e, de facto, isso não se confirmou”, adiantou à Lusa a presidente cessante da LPCE, a neurologista Carla Bentes.
O dado que deixa os especialistas “algo alarmados” é que quase metade dos doentes “não têm seguimento médico”. Carla Bentes alerta ainda que muitos doentes tomam vários fármacos, o que sugere que o número de casos de epilepsia refratária (resistente a medicamentos) é superior ao que se pensava, e que estes doentes “provavelmente não” estão a ser encaminhados para os centros especializados que existem no país.
Perante estes resultados, a LPCE considera ser necessário “repensar a epilepsia e a forma como estes doentes são seguidos em Portugal”. A associação espera que o estudo sirva de base para que sejam “tomadas medidas para melhorar o seguimento clínico dos doentes”, lembrando o “impacto enorme” que a doença tem na vida das pessoas a nível social, profissional e familiar.
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