Especialistas do projeto Oncogyn PT, da Nova Medical School, apresentam esta quarta-feira um conjunto de recomendações para combater as desigualdades regionais no tratamento do cancro ginecológico em Portugal.
A principal proposta passa pela criação de uma “Via Verde Oncogyn”, um modelo integrado de referenciação rápida que visa evitar que o local de residência das doentes determine a sua probabilidade de sobrevivência.
Atualmente, a ausência de um circuito estruturado faz com que muitas mulheres enfrentem múltiplos tempos de espera administrativos e clínicos. Mariana Zagalo, gestora de projetos da instituição, sublinha que o “código postal” continua a influenciar o prognóstico das doentes no acesso a cirurgia especializada e inovação.
O grupo defende ainda a criação de um Registo Oncológico Interoperável para identificar com precisão onde ocorrem os atrasos assistenciais.
Outras medidas incluem a centralização do tratamento em centros de referência acreditados, a implementação de uma rede nacional de telediagnóstico e o reforço da literacia em saúde feminina.
Os especialistas alertam também para o fator económico: tratar a doença em estado avançado pode custar até três vezes mais do que um diagnóstico precoce, embora a escassez de recursos humanos especializados continue a ser um dos principais constrangimentos estruturais à implementação destas medidas.

