A solidão em idosos é um fator determinante para o aumento do consumo de recursos de saúde. A conclusão é de um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), publicado na revista *European Geriatric Medicine*. A investigação, realizada no Baixo Alentejo, revela que “quanto maior o nível de solidão, maior é a utilização de serviços médicos”.
Os dados mostram que idosos em situação de “solidão severa” tomam, em média, quase sete medicamentos por dia, realizam cerca de seis consultas anuais nos cuidados primários e recorrem às urgências duas vezes por ano. Paulo Santos, docente da FMUP e coautor, explica que a procura de cuidados surge muitas vezes para “preencher a ausência de relações sociais”, levando à “medicalização do sofrimento social”.
Os investigadores alertam para os custos humanos e económicos desta realidade e defendem mudanças estruturais, incluindo maior investimento em transportes e apoio social, para evitar respostas clínicas desadequadas.

