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Quase 100 suspeitas de cancros de pele foram detectadas em 2016 no rastreio nacional que avaliou cerca de 1.700 pessoas, segundo a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC).

De acordo com o secretário-geral da APCC, Osvaldo Correia, os casos de cancro de pele têm vindo a aumentar e neste rastreio as suspeitas ascenderam a “mais de 80 casos de carcinoma basocelular e 14 de melanomas, além de outras lesões de risco de cancro de pele”.

Osvaldo Correia falava a propósito dos dados do rastreio nacional que serão hoje apresentados em Lisboa, assim como os do rastreio feito em S. Jorge, nos Açores, onde segundo a APCC a taxa de incidência de cancros de pele é “das mais elevadas do país”.

Na iniciativa, integrada no Dia do Euromelanoma, que se assinala todos os anos em mais de 30 países, serão ainda revelados dados relativos à incidência dos cancros de pele nos jovens adolescentes, “que se estão a tornar mais frequentes e que se prevê continue a aumentar nos próximos anos”, disse.

“O que pretendemos é (…) amplificar as mensagens de prevenção primária e secundária de cancro de pele, que visam chegar às crianças e aos adolescentes com muitas iniciativas no país decorrentes de acções de escola e no desporto, em que queremos que pratiquem desporto ao ar livre mas com segurança, assim como os trabalhadores ao ar livre, que devem ser sensibilizados para a protecção necessária quando trabalham ao sol”, afirmou Osvaldo Correia.

Segundo disse, estima-se que surjam este ano mais 12.000 novos casos de cancro de pele, 1.000 dos quais de melanoma.

“Se no melanoma podemos ter um sinal previamente existente que modificou ou um novo que surge, temos também de pensar no cancro de pele não melanoma — como o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular -, que pode aparecer por uma ferida que não cicatriza e que pode ocorrer sobretudo nas zonas cronicamente expostas ao sol, como a face, em particular o nariz, a fronte, as orelhas e, no calvo, o couro cabeludo e o pescoço”, explicou o responsável.

Segundo a APCC, estima-se que na face e no pescoço seja onde ocorrem cerca de 50% dos casos de cancro de pele não melanoma, um tipo de cancro de pele “extremamente frequente na população”.

Para o responsável da associação, as causas do aumento do número de casos do cancro de pele são múltiplas, mesmo que a população portuguesa seja das que tem mais conhecimentos e comportamentos mais adequados.

“Além de factores genéticos que podem existir em determinadas populações com fototipo de risco, as actividades ao ar livre são múltiplas, não só profissionais, mas de lazer. Hoje as pessoas têm mais exposição a luz, mas devem evitar as horas de maior exposição aos raios ultravioletas”, afirmou Osvaldo Correia, lembrando que “os adolescentes e adultos jovens são os que têm comportamentos menos adequados”.

“A sensibilização tem aumentado, a percentagem de população que tem mais cuidado também é maior, mas não nos podemos esquecer que a pele memorizou. A pele memoriza os riscos e agressões a que esteve sujeita ao longo da vida a essas agressões podem ter como consequência a lesão de cancro de pele ou de risco de cancro de pele cinco, 10, 15 ou 20 anos depois”, acrescentou.

Osvaldo Correia sublinha a importância do diagnóstico precoce, dando o exemplo das várias iniciativas que vão ser desenvolvidas no âmbito do Dia do Euromelanoma, sobretudo para ensinar a população a fazer o autoexame, “identificar o inimigo” e saber o que deve ou não valorizar nesse diagnóstico.

A campanha que irá decorrer este ano prevê diversas acções para o dia 17 de maio, Dia do Euromelanoma em Portugal, como os rastreios gratuitos que vão decorrer em meia centena de serviços de dermatologia espalhados pelo país.

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