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NACIONAL

FREITAS DO AMARAL: ″VIVI E AGI À MINHA MANEIRA” – O LEGADO, A VIDA E A OBRA

A morte de Diogo Freitas do Amaral encerra o derradeiro capítulo de uma vida politicamente rica do notável Português que chegou a liderar a Assembleia Geral da ONU. Manda o interesse público conhecer melhor a vida deste honroso Português que deixará o seu legado na história. Um artigo do jornalista Manuel Carlos Freire do Diário de Notícias resume a vida deste respeitoso e respeitável Português.

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Diogo Freitas do Amaral legitimou a existência da direita no pós-25 de Abril, ocupou os principais cargos governativos em Portugal e foi mesmo o primeiro português escolhido para altos cargos internacionais. Mas o seu papel na revisão constitucional de 1982, que desmilitarizou o regime e redefiniu as competências do Presidente da República, é talvez o mais importante legado que deixa ao Portugal democrático.

Discípulo de Marcelo Caetano, sentiu-se genericamente incompreendido ao longo da sua vida política de três décadas marcada por preocupações de natureza social, que voltaram a sobressair durante o governo PSD/CDS de Passos Coelho. “Não precisei de ler Marx […] para sentir o dever de solidariedade com os mais pobres”, lembrou no verão passado, na que foi talvez a sua última aparição pública e para lançar o seu terceiro volume de memórias.

Referência na área do Direito Administrativo, Freitas do Amaral morreu esta quinta-feira devido a um cancro nos ossos, após duas semanas e meia de internamento no hospital de Cascais. Nascido na Póvoa de Varzim a 21 de julho de 1941, casado e com quatro filhos, católico, Freitas do Amaral despediu-se da vida pública nesse dia 27 de junho de 2019 a ler versos do tema My Way (À Minha Maneira), de Frank Sinatra.


A VIDA ESTUDANTIL:

Freitas do Amaral concluiu em 1959 os estudos secundários no Liceu Pedro Nunes – onde também estiveram figuras como Jorge Sampaio, Marcelo Rebelo de Sousa, Pinto Balsemão e Guilherme d’Oliveira Martins.

Na Universidade de Lisboa, Freitas presidiu à Assembleia Geral da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito – começando aí o seu percurso de “cidadão ativo, movido por um forte impulso interior no sentido da participação, do reformismo e de maior justiça social”, como escreveu nas memórias políticas lançado naquele dia, numa cerimónia presidida por Marcelo Rebelo de Sousa e onde era visível a sua fragilidade física.

Licenciado em 1963, tirou a seguir o curso complementar de Ciências Político-Económicas e em 1967 concluiu o doutoramento em Ciências Jurídico-Políticas, Sempre ligado a essa área científica, iria participar três décadas depois (1996) na fundação da Faculdade de Direito na Universidade Nova.


A DÉCADA MAIS RELEVANTE:

Diogo Freitas do Amaral assumiu-se como um democrata convicto e profundo europeísta, ao ponto de em 1992 deixar o CDS – de que fora um dos fundadores em 1974 – devido ao posicionamento antifederalista do então líder, Manuel Monteiro.

Ultrapassado o cerco que marcou a realização do primeiro congresso do CDS, em 1975 e no Palácio de Cristal, no Porto, Freitas votou contra a Constituição de 1976 – ano em que publicou “As Forças Armadas no contexto da Nação” – por a considerar demasiado socializante.

Em 1978 colocou o CDS no segundo governo constitucional e no quadro de uma coligação com o PS de Mário Soares. A experiência durou meio ano com Freitas fora do executivo – embora, curiosamente, tenha sido como membro de um governo socialista que terminaria a sua vida política em 2006.

Freitas do Amaral assumiu pela primeira vez funções governativas em 1980, no âmbito da Aliança Democrática liderada por Francisco Sá Carneiro, como vice-primeiro-ministro e chefe da diplomacia.

Primeiro-ministro interino desse sexto governo constitucional, após a morte de Francisco Sá Carneiro num acidente cujas investigações nunca o convenceram, Freitas integrou no ano seguinte o executivo de Francisco Pinto Balsemão, como vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, sendo figura central no acordo com o PS que viabilizou a revisão constitucional de 1982.

Essa revisão – que Marcelo Rebelo de Sousa considerou outro exemplo, a par do chumbo da Constituição em 1976, da sua luta pelo “equilíbrio no sistema jurídico-político-institucional português” – fez subordinar as Forças Armadas ao poder civil, extinguindo o Conselho da Revolução e limitando os poderes presidenciais então exercidos pelo general Ramalho Eanes, que exercia a chefia do Estado em simultâneo com o cargo de principal chefe militar.

Naquela que foi a década mais consequencial da sua vida académica e política, Freitas do Amaral iniciou-a também como presidente da União Europeia das Democracias Cristãs, entre 1981 e 1982. Neste ano deixou o CDS e o governo, por desentendimentos no seio da AD e que levaram ao desintegrar dessa aliança.

Professor catedrático em 1984, Diogo Freitas do Amaral procurou dois anos depois atingir o seu grande objetivo na vida política: ser presidente da República. Apoiado pelo PSD de Cavaco Silva e tendo Daniel Proença de Carvalho como diretor de campanha, Freitas corporizou com Mário Soares a mais renhida e memorável campanha eleitoral para o Palácio de Belém.

Essa dura campanha, sob o slogan “Prá Frente Portugal” e caracterizada pelos sobretudos verdes dos seus apoiantes, terminou com a sua derrota por cerca de 150 mil votos e duas grandes surpresas – uma positiva vinda de Mário Soares, “homem tolerante” que lhe fez chegar um ramo de flores no dia seguinte ao da eleição; outra negativa dada por Cavaco Silva, que recusou partilhar as dívidas da campanha.

“A história das minhas relações com Soares é feita de convergências e divergências, encontros e desencontros, grandes confrontos eleitorais, designadamente o das eleições presidenciais, mas também de uma aliança de Governo, de várias alianças parlamentares, da revisão constitucional de 1982, da adesão de Portugal à CEE, uma convergência de rua nos combates de 1975, contra o gonçalvismo”, recordou Freitas em 2013, durante a apresentação da biografia daquele líder socialista.

Freitas do Amaral voltou em 1988 à liderança do CDS, então conhecido como o partido do táxi por ter elegido apenas quatro deputados – cargo que deixou em 1992, quando colocou ponto final na vida partidária. Mas Cavaco Silva, reeleito nesse ano e novamente com maioria absoluta, decidiu propô-lo para presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas na sua 50.ª sessão anual (1995) – levando Durão Barroso a procurar-lhe apoios até em antigos países de Leste como a Roménia e a Bulgária.


CRÍTICO DO FASCISMO:

O exercício do cargo na ONU deixou-o desencantado com os EUA, algo que viria a acentuar-se com o processo político desencadeado pela Administração de George W. Bush que culminou na invasão do Iraque em 2003 – a que se opôs frontalmente, mas que o governo integrado pelo CDS de Paulo Portas apoiou abertamente.

Freitas destacou-se nesses anos por aparecer ao lado de Mário Soares e em comícios do Bloco de Esquerda, culminando em 2005 com a sua entrada no governo socialista de José Sócrates, como independente e na pasta dos Negócios Estrangeiros – que deixou no ano seguinte, invocando razões de saúde que não impediram o então primeiro-ministro José Sócrates de lhe dar fortes palmadas nas costas durante a cerimónia de posse do seu sucessor em Belém.

Estar nesse governo valeu-lhe a ostracização da direita, exemplificada pela decisão do CDS em retirar o seu retrato da galeria dos presidentes do partido e enviá-la por correio para a sede do PS.

Nas memórias lançadas em junho passado com o título “Mais 35 anos de democracia, um percurso singular”, Freitas do Amaral exprimiu alguma amargura: “Apesar de múltiplos serviços prestados ao país durante mais de três décadas, fiquei sozinho. Nunca mais fui convidado, seriamente, para qualquer cargo público ou privado, de 2006 até hoje. Puro ‘ostracismo’.”

“A direita portuguesa não aceitou. Ela achava que eu passara a ser propriedade sua e só podia fazer o que fosse do seu agrado. A minha liberdade política, que incluía aliar-me com quem quisesse devia ter ficado limitada pela propriedade política que a direita se arrogava sobre mim, Aliás, a direita costumar dar mais importância à propriedade do que à liberdade”, escreveu ainda Freitas, que nesse ano de 2005 também se demitira do Partido Popular Europeu (antecipando-se à expulsão por integrar um governo socialista).

Mas o seu próprio distanciamento face ao espaço político onde se insere o partido que fundou e inseriu no regime democrático acentuou-se com as alterações dos últimos anos no sistema político internacional. Acusado de ser fascista nos alvores do regime fundado em 1974, Diogo Freitas do Amaral repudiou abertamente o recrudescimento do que qualificava como fascismo em vários países.

Mesmo a Áustria, que visitava regularmente como melómano e que via como “um país supermoderado e superdemocrático”, acabou por o surpreender quando “por menos de 1%” quase elegeu um presidente de extrema-direita, confessou numa entrevista ao DN em 2018. Estudioso dos fascismos europeus entre as duas grandes guerras, Freitas não tinha dúvidas: “É altura, sem excessivo alarmismo, sem excessiva precipitação, de começar a chamar os bois pelos nomes: isto é fascismo. Não lhe chamem populismo, que até pode parecer uma coisa simpática. É extremismo sim. Extremismo de direita sim. Logo, é fascismo.”

Defensor do voto obrigatório para as eleições legislativas como forma de motivar os jovens para a vida política e combater a abstenção, Freitas do Amaral defendeu a solução governativa da geringonça também contra a opinião generalizada dos partidos da direita e colocando-se outra vez no lado oposto ao de Cavaco Silva.

“A minha elasticidade política vai do CDS ao PS, incluindo todo o PS, mas não vai até ao PCP”, explicou na referida entrevista ao DN, onde frisou que a geringonça era constitucional e acabou por ser “importante para a maturidade” do regime democrático.


DIVULGADOR DA HISTÓRIA DE PORTUGAL:

A faceta de escritor também foi uma constante na vida de Freitas do Amaral, dominada por obras ligadas ao Direito e também ao universo da Política.

Contudo, foram os textos escritos como divulgador da História de Portugal que o aproximaram do grande público, desde o grande sucesso da biografia de D. Afonso Henriques à do rei D. Afonso III, passando por uma peça de teatro sobre a figura de Viriato e pelo contributo de D. Manuel I para a construção do estado moderno em Portugal.

“Da Lusitânia a Portugal: dois mil anos de história” e “Em que momento se tornou Portugal um país independente” são outras duas obras de cariz histórico escritas em tom pedagógico e acessível.

Mas Freitas do Amaral fez também questão de deixar registo público da sua vivência como cidadão, contando “pequenas histórias” da sua vida pessoal aos “Quinze meses no Ministério dos Negócios Estrangeiros” durante o governo de maioria absoluta do PS e com que encerrou o seu percurso político no ativo.


Um artigo do jornalista Manuel Carlos Freire (Diário de Notícias).

NACIONAL

GRIPE: 80% DAS PESSOAS COM MAIS DE 65 ANOS JÁ SE VACINARAM

Quase 80% dos portugueses com 65 anos ou mais e mais de metade dos profissionais de saúde em contacto direto com doentes já terão sido vacinados contra a gripe, segundo os dados da terceira vaga do vacinómetro.

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Quase 80% dos portugueses com 65 anos ou mais e mais de metade dos profissionais de saúde em contacto direto com doentes já terão sido vacinados contra a gripe, segundo os dados da terceira vaga do vacinómetro.

De acordo com os dados, a que a agência Lusa teve acesso, 79,4% das pessoas com 65 ou mais anos estarão já protegidas contra a gripe, uma subida de 31,1 pontos percentuais relativamente à segunda vaga do vacinómetro, que monitoriza a vacinação contra a gripe durante a época gripal através de questionários.

A informação hoje divulgada mostra igualmente que 77% dos portadores de doença crónica também se incluem no grupo dos vacinados contra a gripe, uma subida de 31,3 pontos percentuais em comparação com a segunda vaga do Vacinómetro 2022/2023 (45,7%).

Para os profissionais de saúde (52,6%), a subida é de 19,3 pontos percentuais.

Quanto à cobertura vacinal das grávidas, subiu para 65,8%, segundo o vacinómetro, promovido pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), com o apoio da empresa biofarmacêutica Sanofi.

Em relação à população entre os 18 e os 59 anos de idade, o relatório mostra uma taxa de vacinação de 5,2%, uma subida de 1,7 pontos percentuais.

Já no grupo das pessoas que têm 80 ou mais anos, 86,2% já terão sido vacinados, sendo que 60,1% aderiram à vacinação por terem recebido uma notificação para agendamento pelo SNS.

Quanto aos doentes crónicos, terão sido vacinados 84,7% dos que têm diabetes e 81,2% dos que têm doença cardiovascular. No que se refere aos diabéticos, 47,9% vacinaram-se por recomendação do médico.

Do total de vacinados, 33,7% fê-lo por recomendação do médico, 29,5% porque foram notificados para agendamento pelo SNS, 22,2% no contexto de uma iniciativa laboral e 11,7% por iniciativa própria.

A informação para a terceira vaga do vacinómetro foi recolhida entre os dias 15 e 20 de novembro.

A vacinação contra a gripe, que teve início em setembro, é recomendável, segundo a Direção Geral da Saúde, para quem tem idade igual ou acima dos 65 anos, crianças com seis ou mais meses que apresentem patologias crónicas associadas, doentes crónicos, imunodeprimidos e grávidas, além dos profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados.

O processo para os grupos recomendados e com gratuitidade decorre em cinco fases, através de convocatória por SMS para a administração em simultâneo das vacinas contra a gripe e contra a covid-19, ou apenas para a vacina contra a gripe (se não forem elegíveis para covid-19).

A 1.ª fase, iniciada a 07 de setembro, abrangia as pessoas com 80 ou mais anos de idade ou com comorbilidades, a 2.ª fase, que arrancou no dia 15 de setembro, incluía os residentes em lares, a 3.ª (desde 21 setembro) incluía os profissionais de saúde, a 4.ª (07 outubro) pessoas com 70 ou mais anos de idade e a 5.ª fase, que arrancou a 12 de novembro, inclui as pessoas com 60 ou mais anos de idade.

Lançado no ano de 2009, o vacinómetro permite monitorizar, em tempo real, a taxa de cobertura da vacinação contra a gripe em grupos prioritários recomendados pela DGS.

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EX-SECRETÁRIO DE ESTADO E AUTARCA DE AROUCA ACUSADOS DE PREVARICAÇÃO

O ex-secretário de Estado da Proteção Civil José Artur Neves e a presidente da câmara de Arouca foram acusados de um crime de prevaricação de titular de cargo político e outro de falsificação de documento agravado, foi anunciado na terça-feira.

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O ex-secretário de Estado da Proteção Civil José Artur Neves e a presidente da câmara de Arouca foram acusados de um crime de prevaricação de titular de cargo político e outro de falsificação de documento agravado, foi anunciado na terça-feira.

Numa nota publicada na sua página na internet, a Procuradoria-Geral Regional do Porto (PGRP), refere que por despacho datado de 07 de novembro foi deduzida acusação contra dois arguidos, ex-presidente e presidente da câmara municipal de Arouca (e à data vice-presidente).

Com estes arguidos, segundo a PGRP, foi também acusado um arguido pelos mesmos crimes prevaricação por titular de cargo político e de falsificação agravada, assim como a sociedade por este gerida, pelo crime de falsificação agravada.

Os factos relacionam-se com a contratação e realização de obras públicas, promovidas pelo município de Arouca visando a pavimentação de um troço situado numa freguesia do concelho, por ocasião das eleições autárquicas de 2017, quando José Artur Neves exercia funções como presidente da Câmara de Arouca eleito pelo PS e tinha como vice-presidente Margarida Belém, que viria a ser a sua sucessora.

“O MP considerou indiciado que o contrato foi celebrado sem a observação de qualquer procedimento legalmente estipulado para a contratação pública, de modo meramente verbal, ordenado pelo ex-presidente com o acordo da sua sucessora no cargo, para assegurar a maior votação possível na lista que o próprio (que concorria ao cargo de presidente da Assembleia Municipal) e a arguida (que concorria ao cargo de presidente da Câmara Municipal) integravam e, por outro lado, para permitir que a sociedade beneficiária se visse preferida na execução célere e no pagamento de obras a seu cargo”, refere a mesma nota.

Logo após o início das suas funções como presidente da Câmara de Arouca, Margarida Belém terá determinado a abertura de um procedimento por ajuste direto, pelo preço de 42.617,50 euros, “tendo tal procedimento sido instruído pelos arguidos, ou a mando destes, com as peças do procedimento como se ainda não tivesse tido execução”.

A acusação refere ainda que, com a celebração deste contrato, “foram igualmente violados os limites trienais legais à data em vigor para a contratação por ajuste direto, por se tratar de adjudicação relativa a prestações do mesmo tipo ou idênticas a anteriores adjudicações ocorridas no ano económico e nos dois anos económicos anteriores celebrados com a mesma empresa”.

O MP requereu, em consequência, a perda das vantagens relativo ao valor do contrato.

Além deste caso, José Artur Neves é ainda arguido no processo relacionado com a aquisição de golas de autoproteção no âmbito do programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras”, implementado na sequência dos incêndios florestais de 2017.

Na sequência deste caso, José Artur Neves demitiu-se do cargo de secretário de Estado da Proteção Civil, em setembro de 2019, no mesmo dia em que a Polícia Judiciária fez buscas no Ministério da Administração Interna e na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

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DECO ALERTA PARA DISCREPÂNCIAS ENTRE MUNICÍPIOS NAS FATURAS DA ÁGUA

As tarifas dos serviços de água e saneamento continuam com elevada discrepância entre os municípios, segundo um estudo da Deco Proteste, que alerta que os consumidores não devem ser os únicos a suportar os custos.

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As tarifas dos serviços de água e saneamento continuam com elevada discrepância entre os municípios, segundo um estudo da Deco Proteste, que alerta que os consumidores não devem ser os únicos a suportar os custos.

Numa nota sobre o estudo, revelado na revista Proteste de dezembro, a Deco salienta que há mais de 10 anos que alerta “para a elevada discrepância entre as tarifas dos serviços de água e saneamento entre municípios do território nacional”.

Segundo a associação, em 2022 a maior disparidade de preços, para consumos anuais de 120 metros cúbicos (m3) de água, encontra-se entre Vila do Conde (distrito do Porto), onde o valor total da fatura ronda os 480,21 euros, e Vila Nova de Foz Côa (Guarda), onde se pagará 88,20 euros (ambos os valores sem IVA).

Em relação à taxa do saneamento, incluída também nesta fatura mensal, os valores mais elevados são pagos em Póvoa de Lanhoso (Braga), correspondente a 186,89 euros, para um consumo mensal de 10 m3.

Em 2022, para um consumo de 120 m3 de água, um consumidor de Vila do Conde paga 480,21 euros (250,02 euros de abastecimento de água, 154,41 euros de saneamento e 75,78 euros de taxa de resíduos), no concelho de Baião (Porto) 453,32 euros, em Celorico de Basto (Braga) 451,10 euros, em Gondomar (Porto) 443,62 euros e na Trofa (também no Porto) 441,98 euros.

Os concelhos com o valor mais barato na fatura deste ano são Vila Nova de Foz Côa, com um total de 88,20 euros, Monchique (Faro) com 99 euros, Terras do Bouro (Braga) com 103,22 euros, Castro Daire (Viseu) com 108 euros e Vila Flor (Bragança) com 114 euros.

A Deco destaca que estas diferenças de valores dependem de vários fatores, como “as cláusulas contratuais entre as câmaras municipais e as concessões, o diferencial de custos e a comparticipação dos municípios na tarifa aplicada ao consumidor doméstico”.

A associação salienta também que indicadores como a reabilitação de condutas, a ocorrência de avarias e as perdas reais de água são “determinantes na prestação do serviço de abastecimento de água”.

“Ainda assim, não deve ser apenas o consumidor o único a suportar os custos destes indicadores”, considera a associação, defendendo a necessidade de “mudanças neste setor”.

Entre as alterações que defende está a regulação tarifária para a harmonização de preços nos diferentes concelhos, de forma a promover o uso eficiente deste recurso, que considera “um direito universal”.

“Ajustar as contas para os consumidores é uma questão de equidade, que apenas pode ser resolvida com um regulamento tarifário”, sublinha.

O cálculo da acessibilidade económica das famílias aos serviços de água e saneamento e a aplicação de tarifas sociais a famílias de carência económica são outras das medidas que a associação pretende ver aplicadas, tal como a aposta na reabilitação das estruturas, como os coletores.

A Deco disponibiliza um comparador de tarifários que permite conhecer a diferença dos preços da água entre os concelhos, em https://www.deco.proteste.pt/sustentabilidade/lixo-sem-agua#district.

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DGS APELA AOS RASTREIO DE INFEÇÕES POR VIH/HIV E HEPATITES VIRAIS

A Direção-Geral da Saúde (DGS) apelou esta segunda-feira à população para fazer o rastreio às infeções pelo VIH e hepatites virais, no âmbito de uma iniciativa europeia que decorre esta semana e visa alertar para a importância do diagnóstico precoce.

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A Direção-Geral da Saúde (DGS) apelou esta segunda-feira à população para fazer o rastreio às infeções pelo VIH e hepatites virais, no âmbito de uma iniciativa europeia que decorre esta semana e visa alertar para a importância do diagnóstico precoce.

“Estamos a falar principalmente de três doenças, sida, hepatite B e hepatite C, que são causa de morte“, mas para as quais “a medicina tem vacinas, tem cura e tem tratamento para salvar vidas”, disse à agência Lusa o diretor do Programa Nacional para as Hepatites Virais (PNHV) da DGS, Rui Tato Marinho.

As estimativas apontam para que haja cerca de 100.000 pessoas com estas três doenças em Portugal, sendo o objetivo da “Semana Europeia do Teste de Outono 2022”, que começou neste dia e termina no sábado, sensibilizar a população para o benefício do diagnóstico precoce destas infeções e para a eficácia da adesão ao tratamento.

Os rastreios, que são gratuitos e anónimos, podem ser feitos em unidades móveis de várias organizações da sociedade civil espalhados pelo país.

“Através de uma gota de sangue, num minuto, conseguimos detetar três doenças muito silenciosas, muito ameaçadoras, potencialmente graves e, a partir daí, pessoas que não sabiam que estavam infetadas podem avançar para o tratamento, vacinação dos familiares” e no caso da hepatite C para a cura.

Segundo o relatório do PNHV 2022, entre 2015 e 2021 foram autorizados 30.086 tratamentos para a hepatite C, dos quais 28.844 já iniciados.

“Quando se restringe a análise ao universo de indivíduos que já concluíram o tratamento e em que se pode avaliar a resposta virológica sustentada, verifica-se que 18.074 estão curados (96,7%) contra 623 doentes não curados (3,3%)”, lê-se no documento.

Questionado se estas doenças estão subdiagnosticadas em Portugal, Rui Tato Marinho considerou que irá haver sempre pessoas que não sabem que têm a doença.

“Como são doenças que evoluem de forma silenciosa, sem sintomas, durante muitos anos, até 30 anos, existirão sempre pessoas que não sabem que as têm”, comentou.

Por isso, reiterou, fazer o teste é a única maneira de saber que tem a doença.

“Não é preciso fazer TAC, nem ressonância, é apenas uma gota de sangue”, disse, lembrando que, com a covid-19, as pessoas habituaram-se a realizar testes, que neste caso também salvaram e quebraram cadeias de transmissão da doença.

Rui Tato Marinho alertou que todos devem fazer o rastreio: “Basta estar vivo, ter uma relação sexual e ter uma destas doenças“.

Por outro lado, advertiu, Portugal tem neste momento “muita imigração” e até de países com mais risco.

“Mesmo que o problema seja resolvido na população portuguesa, temos de pensar que temos imigrantes vindos da Ásia, da África, onde há países em que a percentagem de pessoas infetadas é maior”, disse.

Nesse sentido, disse o especialista, “o objetivo também é ajudar essas pessoas que vieram para Portugal, onde têm melhores cuidados de saúde, e oferecer-lhes o que a medicina portuguesa tem de bom, que é ajudar a salvar vidas”.

Em 2021, fizeram-se em Portugal 17.573 testes de rastreio à hepatite B e 22.820 testes à hepatite C, com uma prevalência de 1,12% e de 1,09% de resultados reativos, respetivamente, refere o relatório.

“Os dados de 2021 mostram uma recuperação na tendência crescente do número de testes realizados nestes contextos, ultrapassando mes­mo os dados de 2019”, ano pré-pandemia.

De forma sustentada, a proporção de casos reativos identificados tem vindo a diminuir anualmente.

“Os doentes com hepatite C são cada vez menos nas consultas, muitos foram curados e tiveram alta e os doentes com hepatite B são os que já lá estavam, porque em muitos casos é uma doença crónica para toda a vida”, disse Rui Tato Marinho.

A Direção-Geral da Saúde associou-se aos restantes países da Europa, reforçando a necessidade de continuidade de respostas adequadas por parte dos serviços que acompanham os doentes em situação de maior risco.

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