Ataque informático cortou energia na Ucrânia. Um ataque informático à rede eléctrica ucraniana provocou um importante corte de energia no oeste da Ucrânia no final de Dezembro, revelaram hoje à AFP a sociedade de segurança informática ESET e várias fontes locais.
“Esta foi uma novidade mundial”, asseguraram as equipas da ESET France.
“O vírus foi colocado graças a uma significativa campanha de ‘phishing’ (envio de correio eletrónico de proveniência falsificada), com um documento Excel infetado”, explicaram as fontes na ESET, que detetou o ataque durante a vigilância que as suas equipas faziam ao vírus desde há meses.
Em 23 de dezembro, uma grande parte da região de Ivano-Frankivsk, no oeste da Ucrânia, foi privada de energia durante várias horas, indicara na altura a companhia de eletricidade local Prikarpattiaoblenergo.
Esta situação foi causada pela “intervenção de pessoas não autorizadas (…) no sistema de comando à distância” e os técnicos tiveram então de restabelecer a corrente “manualmente”, acrescentaram a empresa.
Pouco depois, os serviços de informações ucranianos (SBU) divulgaram, em comunicado, a descoberta de “programas informáticos malfazejos nas redes de várias empresas de eletricidade regionais”.
“Um vírus, que nunca tínhamos encontrado, foi detetado. (…) Este vírus causou estragos. O funcionamento automático deixou de funcionar e os computadores foram desligados”, confirmou hoje à AFP uma fonte ucraniana conhecedora do assunto.
“Continuamos a procurar esclarecer este assunto. De momento, não podemos dizer quem foi o autor nem com que objetivo”, disse a representante do SBU na região de Ivano-Frankivsk, Maria Rymar.
Os investigadores da ESET adiantaram que os atacantes tinham usado um programa designado BlackEnergy para introduzir um programa informático malfazejo, KillDisk, que “contém funcionalidades para sabotar sistemas industriais”.
Estes peritos detetaram por várias vezes vulnerabilidades a ciberataques em sistemas informáticos que gerem grandes infraestruturas.
“Este ataque só confirma os receios dos profissionais: os cibercriminosos são cada vez mais poderosos e os ciberataques vão ser cada vez mais em 2016”, considerou fonte da ESET.

