Numa altura em que o Estado Islâmico sofreu uma das suas derrotas mais significativas, com a perda de controlo da cidade iraquiana de Ramadi, o líder do grupo ‘jihadista’ e autoproclamado califa, Abu Bakr al Baghdadi, surgiu numa rara aparição pública, e através de uma mensagem áudio, para avisar que a organização enfrenta tempos difíceis porque o “mundo inteiro” está contra o Estado Islâmico.
Na mensagem de 24 minutos de duração, a primeira desde maio, Al-Baghdadi apela a uma “guerra geral” na qual o “califado” tem que combater o Ocidente, a Rússia e os seus aliados árabes, cita a CNN.
“Não se surpreendam com a reunião das nações da descrença e de grupos contra o Estado Islâmico”, afirmou o líder jihadista antes de explicar que “se formos mortos e os ferimentos forem numerosos e se os problemas se acumularem contra nós e se as dificuldades forem grandes, então isto também não é uma surpresa”.
Nesta última comunicação, que a CNN refere que pode ter sido gravado algures nas últimas duas semanas, Baghdadi ainda admite que: “as dissensões e as dificuldades tornaram-se maiores, de tal forma que o Estado Islâmico recuou em muitas áreas que conquistou e controlou”. Mas, ao mesmo tempo, recorda anteriores derrotas para apelar aos seus apoiantes para que: “fiquem tranquilos que o vosso estado ainda é bom. Sempre que a conspiração das nações aumentar contra ele, mais certo é o apoio de Alá”.
Numa tentativa de amenizar não só a perda de controlo da importante cidade estratégica de Ramadi, mas também a destruição de várias refinarias de petróleo fundamentais para o financiamento do ‘daesh’, o autoproclamado califa tenta chamar à batalha todos os muçulmanos mobilizando a profecia islâmica, referindo-se à “batalha final” em Dabiq, chamando a atenção para a luta na cidade no norte da Síria contra os “exércitos de Roma”.
Mais do que isso, Baghdadi diz que “travar esta batalha é um dever de todos os muçulmanos e nenhum está dispensado”, enquanto goza com os inimigos por não colocarem tropas no terreno de maneira a combater cara-a-cara os militantes jihadistas: “Eles não se atrevem a vir porque os seus corações estão cheios de medo dos mujahidin”, afirmou, referindo-se aos anteriores conflitos no Afeganistão e no Iraque e à forma de atuar dos países ocidentais, como o Estados Unidos.
Para além de tudo isto, o líder do ‘daesh’ deixa um aviso: “Nós prometemos que qualquer um que participe na guerra contra o Estado Islâmico vai pagar um preço elevado e vai-se arrepender”. Ou seja, fica no ar a ameaça de que o grupo vai atacar o coração daqueles que atacarem a organização e que esta está disposta a estender a guerra “até muito longe”.

