As autoridades registaram mais de 4.500 crimes relacionados com o arrendamento de habitação em Portugal no último triénio, revelam dados recentes que espelham a crescente insegurança no mercado imobiliário. Entre as principais ocorrências destacam-se a burla, a extorsão e o arrendamento ilegal, situações que proliferam sobretudo nos grandes centros urbanos de Lisboa e Porto, onde a pressão sobre o alojamento é mais acentuada. O fenómeno tem sido potenciado pelo recurso a plataformas digitais, onde anúncios fraudulentos atraem vítimas através de preços abaixo do valor de mercado, exigindo pagamentos antecipados sem visitas prévias aos imóveis. A criminalidade no setor não se limita às burlas digitais, abrangendo também situações de coação e despejos ilegais. As forças de segurança sublinham a importância de formalizar contratos escritos e de verificar a identidade dos proprietários antes de qualquer transação financeira. O Governo e as associações de inquilinos defendem um reforço da fiscalização e da literacia jurídica dos cidadãos para combater esta tendência, alertando que a escassez de oferta de habitação está a tornar os cidadãos mais vulneráveis a esquemas criminosos sofisticados que afetam milhares de famílias em todo o país.
