A Alemanha está em choque com a revelação de um instituto financiado pela Volkswagen, Daimler e BMW usou macacos e pessoas para fazer testes com emissões poluentes de motores diesel.
Primeiro, foi a revelação, na última semana, de que macacos tinham sido utilizados para testar os efeitos das emissões poluentes dos carros diesel. Segundo uma investigação do “The New York Times”, os animais foram utilizados para verificar os efeitos do dióxido de azoto na saúde, através da exposição a emissões de um Volkswagen Beetle e uma carrinha Ford F-150.
No sábado, as empresas que financiam o Grupo Europeu de Investigação Ambiental e de Saúde no Setor dos Transportes – extinto em 2017 – criticaram os testes e distanciaram-se do trabalho de investigação que tinha sido encomendado a um laboratório norte-americano.
No entanto, as revelações não ficaram por aqui. O jornal alemão “Stuggart Zeitung” revelou que, na Alemanha, um grupo de pessoas foi usado com a mesma finalidade, tendo sido exposto aos produtos da combustões de gasóleo.
Segundo a revista “Spiegel”, um grupo de 25 jovens saudáveis esteve numa clínica de Aachen, em 2016, onde foram sujeitos à inalação de dióxido de azoto em diferentes concentrações e depois submetidos a exames médicos. A notícia está a gerar ondas de choque na Alemanha.
O governo federal alemão criticou veementemente estes testes, com o porta-voz de Angela Merkel a não poupar nas palavras. “Estes testes em macacos ou até em humanos não são eticamente justificáveis em qualquer forma ou feitio. A indignação das pessoas é completamente compreensível”, afirmou Steffen Seibert, esta segunda-feira.
A Volkswagen, que passou por uma crise quando se descobriu a fraude nas emissões dos carros diesel, já se distanciou do caso, afirmando que se tratou de um processo que não reflete a a forma de trabalhar da empresa. Ainda assim, segundo o jornal “The Guardian”, os resultados dos teste foram documentados e os resultados apresentados aos gestores da Volkswagen, Daimler e BMW.
Todas as empresas repudiaram os testes, mas a Universidade de Aachen, que organizou o estudo com humanos, defende o trabalho, garantindo que foi aprovado por uma comissão de ética.

