Com a voz trémula e sempre de lágrimas no rosto, a mulher de 49 anos relatou ontem ao colectivo de juízes do Tribunal de Matosinhos os 15 anos de terror que viveu às mãos do companheiro, Carlos Costa. Contou que era agredida, insultada e queimada com cigarros. Disse ter sido acorrentada à cama durante 61 noites, sendo forçada a fazer as necessidades fisiológicas num bacio.
Em maio de 2016, foi alvo de tentativa de homicídio no apartamento onde vivia, na Maia. “Tive de me pendurar num terceiro andar, como se fosse eu que me quisesse matar. Depois apareceu um vizinho que disse ‘não faças isso’ e ele puxou-me para cima. Depois, disse que se eu fizesse queixa me mandava para o cemitério”, recordou a vítima, que saiu de casa nesse mesmo dia.
A mulher – que falou na ausência do arguido – contou ainda que Carlos, que era sucateiro, metia cadeados na porta de entrada e controlava os seus passos. “Ele tinha um machado e uma motosserra na cama e dizia que era para me cortar aos bocadinhos.
Acorrentava-me todas as noites, metia um cadeado no meu tornozelo e dizia que era para eu não fugir”, explicou ainda a mulher, que chegou a ser ferida num braço com uma rebarbadora. A filha da vítima, de 15 anos, assistiu a parte das agressões e confirmou ontem a versão da mãe.
Já o sucateiro, que tem 52 anos e está preso, não quis falar aos juízes. Carlos Costa responde por tentativa de homicídio, violência doméstica e 61 crimes de sequestro.
Fonte: CM

