A Ordem dos Médicos (OM) denunciou esta terça-feira a existência de graves desigualdades e barreiras no acesso a cuidados de saúde para doentes alérgicos em Portugal.
Em ofícios enviados ao Ministério da Saúde, à Direção Executiva do SNS e ao Infarmed, a instituição exige medidas urgentes para corrigir duas falhas estruturais: a desatualização da rede de referenciação hospitalar de imunoalergologia e a ausência de comparticipação da imunoterapia com alergénios.
Segundo a OM, a maioria dos utentes tem de suportar a totalidade dos custos dos tratamentos, o que impede muitos de prevenir reações potencialmente fatais.
O alerta coincide com um período de elevadas concentrações de pólen em quase todo o território nacional. Estima-se que as doenças alérgicas afetem mais de 30% da população portuguesa, com a asma a atingir cerca de 700 mil adultos.
A Ordem sublinha ainda que entre 75 mil e 150 mil portugueses correm risco de anafilaxia, uma reação alérgica grave. Os médicos criticam a inação institucional, lembrando que a rede de referenciação deveria ter sido revista em 2023, mantendo-se atualmente desajustada à realidade hospitalar.
