O aumento progressivo das temperaturas pode levar Portugal a um quadro de desertificação semelhante ao do Norte de África. O alerta é do meteorologista Manuel Costa Alves face aos dados da NASA que apontam Julho como o mês mais quente ao nível mundial.
Segundo o especialista, a informação confirma o risco de desertificação no Sul do país.
“Tendo em conta as últimas informações que temos, este é um dos riscos que correremos: Portugal pode ficar com um quadro de desertificação no Sul semelhante ao do Norte de África”, disse ainda o especialista; “imagine que uma exotérmica de 20 graus sobe, em latitude e alguns graus, e se localiza, por exemplo, ao nível da Serra Algarvia. Isso vai provocar um conjunto de consequências nos ecossistemas primeiro e, depois, na vida das sociedades”, alertou.
Face aos dados que apontam para esta subida das temperaturas, o meteorologista defende que por prevenção algumas culturas deixaram de ter produtividade e devem ser substituídas por outras. “A resposta das actividades humanas ditará muitas das consequências”, sublinha.
A agência espacial norte-americana refere que, no mês passado, as temperaturas atingiram um recorde inédito. Em causa está uma subida de 0,84 graus em relação à média de Julho registada entre 1951 e 1980, bem como 0,11 graus acima do valor de Julho do ano passado.
Os últimos 10 meses têm registado recordes, mas Julho bateu todos, sendo o mais quente de sempre.

