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RARÍSSIMAS: CURSOS PAGOS À CUSTA DE SUBSÍDIOS

A ex-presidente da Raríssimas Paula Brito e Costa usou mais de 50 mil euros da associação e da Federação das Doenças Raras para pagar cursos de formação na escola de negócios AESE, a maioria para si e para o seu filho, de acordo com o jornal i.

Ambos sem formação no ensino superior, Paula Brito e Costa e o filho César Brito da Costa fizeram diferentes formações avançadas na AESE, a primeira Business School em Portugal, fundada em 1980, fruto de uma iniciativa da Associação de Estudos Superiores de Empresa.

Entre 2014 e 2016, Paula Brito e Costa, sob escrutínio por alegada gestão danosa da associação, frequentou três cursos que custaram 24.800 euros, aos quais acrescem mais 23% de IVA. Uma das formações, o Programa de Alta Direcção de Instituições de Saúde, no valor de 7300 euros, foi paga com verbas da Federação das Doenças Raras (FEDRA), fundada em 2008 por Paula Brito e Costa.

A fundação pagou ainda um curso à ex-vice-presidente da associação Raríssimas Joaquina Magalhães Teixeira – também acusada de desvios de fundos e afastada da associação – , e a uma funcionária, Andreia Bernardo.

Todos estes cursos “foram facturados à Raríssimas, à excepção do Programa de Alta Direcção de Instituições de Saúde, frequentado por Paula Brito e Costa, facturado à FEDRA, de acordo com os dados indicados pelos participantes”, contou ao i a escola de negócios.

Um dos cursos, o Programa de Alta Direcção de Instituições de Saúde, frequentado pelas três dirigentes da Raríssimas (e com um custo de 7300 euros por aluno), é destinado a membros de conselhos executivos e dos conselhos clínicos do agrupamento de centros de saúde e a membros do conselho de administração dos hospitais. O Programa de Alta Direcção de Empresas tem a duração de seis meses e destina-se a empresários e dirigentes com o mínimo de dez anos de experiência de gestão em posições de alta direcção e direcção-geral.

A AESE diz ainda que a frequência dos cursos por Paula Brito e Costa, do seu filho e das duas dirigentes da associação não resultaram de qualquer parceria estabelecida entre a associação e AESE.

O jornal destaca também que o reitor da AESE, José Ramalho Fontes, foi um dos nomes apontados pela ex-presidente e fundadora da Raríssimas para ocupar um dos cargos do conselho de curadores da fundação que Paula Brito e Costa queria criar.

A Raríssimas e a Federação das Doenças Raras de Portugal (Fedra) foram suspensas da Organização Europeia de Doenças Raras (Eurordis), que se diz “chocada” com as acusações contra Paula Brito e Costa, que presidiu às duas instituições.

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