Um novo estudo, publicado na prestigiada revista Nature Human Behaviour, reforça os benefícios da semana de trabalho de quatro dias sem corte salarial, destacando melhorias significativas na saúde física e mental dos trabalhadores e na performance económica das empresas.
A pesquisa, que envolveu quase 2.900 trabalhadores de 141 empresas em seis países (Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos), revelou um panorama promissor.
Os investigadores da Universidade de Boston e da University College Dublin observaram que os trabalhadores que reduziram suas horas semanais — especialmente aqueles que passaram para uma semana de quatro dias (com redução de oito ou mais horas) — reportaram maior satisfação no trabalho, menos esgotamento, melhor saúde mental e física, e uma melhor qualidade de sono. Comparado a um grupo de controlo que manteve o horário normal, os benefícios foram claros: mais desempenho individual e menos problemas de saúde em geral. Embora reduções menores de horas também trouxessem vantagens, os ganhos mais expressivos foram vistos com a transição para os quatro dias de trabalho.
Estes resultados vêm reforçar o potencial de iniciativas globais para a redução do horário de trabalho, como a jornada de seis horas ou a diminuição de 20% do tempo de trabalho, visando a melhoria da saúde e da produtividade.
E em Portugal?
No nosso país, um projeto-piloto de seis meses sobre a semana de quatro dias obteve uma avaliação amplamente positiva. Quase todas (95%) das cerca de quarenta empresas participantes consideraram a experiência bem-sucedida. Os trabalhadores destacaram ganhos na conciliação entre a vida pessoal, profissional e familiar, com mais de 60% a relatar passar mais tempo com a família. Em média, a redução das horas semanais foi de 13,7%.
No entanto, a implementação generalizada da semana de quatro dias em Portugal enfrenta resistência. Um estudo da Associação Industrial Portuguesa — Câmara de Comércio e Indústria (AIP-CCI) revelou que sete em cada dez empresas se opõem à medida, especialmente nos setores do comércio, indústria e construção. Entre as que concordam, 71% defendem que a adoção deveria ser facultativa.
Embora a evidência internacional e a experiência piloto nacional apontem para um futuro promissor para a semana de quatro dias, a sua plena integração no mercado de trabalho português parece exigir um debate mais aprofundado e a flexibilidade para se adaptar às especificidades de cada setor.
