Uma equipa de arqueólogos descobriu utensílios de pedra lascada com mais de 26 mil anos no sítio da Penascosa, no Vale do Côa, confirmando pela primeira vez a existência de um acampamento dos grupos humanos que criaram a famosa arte rupestre no local. O achado foi classificado como “importantíssimo” pelo novo presidente da Fundação Côa Parque, João Paulo Sousa, e abre novas portas para a compreensão da vida no Paleolítico Superior.
“É um achado importantíssimo, que após 30 anos da primeira tentativa de identificação de acampamentos […] revela agora a existência de utensílios”, afirmou João Paulo Sousa. Até agora, o sítio do Fariseu era o único no Vale do Côa onde se tinha encontrado esta coincidência de arte e habitat. A descoberta de lamelas de sílex na Penascosa permitirá agora estudar as “atividades e comportamentos dos artistas paleolíticos” como nunca antes.
As escavações fazem parte do projeto “Côa 3P” e envolvem uma equipa multidisciplinar. Segundo a Fundação, o próximo passo será a realização de datações radiométricas para “estabelecer a cronologia precisa” das várias ocupações humanas no local. Os novos resultados serão integrados na visita a este que é um dos locais mais procurados do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC).
A Arte do Côa, classificada como Património Mundial pela UNESCO em 1998, representa um ciclo artístico de 30 mil anos jamais interrompido. Desde a criação do parque, o número de rochas com arte identificadas passou de 190 para mais de 1.500, num santuário a céu aberto que se estende por cinco concelhos.
Versão Rádio:
Rádio Regional | JornalOnline

