Alexandre Favaios, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, apelou ao Governo para rever a medida que autoriza um aumento de 5% nas vagas de acesso ao ensino superior em todas as instituições. Para o autarca, esta decisão, apresentada pelo Ministério da Educação como um reforço da autonomia das universidades, representa, na prática, mais uma “machadada no equilíbrio territorial”.
Falando após a reunião do executivo, Favaios alertou que o aumento generalizado de vagas vai agravar as assimetrias regionais. O argumento baseia-se na demografia: como cerca de 80% da população reside no litoral, a abertura de mais lugares nessas zonas reduzirá drasticamente a necessidade de os alunos se deslocarem para o Interior para estudar. “O fator de atração para territórios de baixa densidade será naturalmente menor”, sublinhou.
O autarca recordou que 54% das vagas já estão concentradas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e que, no último concurso, registou-se uma quebra de 21% no acesso ao ensino superior nas zonas de baixa densidade. Embora a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) não tenha sentido essa dificuldade imediata, Alexandre Favaios teme o impacto futuro, defendendo que “coesão territorial não é tratar todos de igual”, mas sim criar discriminação positiva para quem parte em desvantagem.
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