VIVER NAS CIDADES AUMENTA O RISCO DE DEMÊNCIA

O impacto da poluição do ar na nossa saúde já era conhecido, mas agora uma equipa de cientistas britânicos garante que o ar poluído pode também causar danos no nosso cérebro. Em causa está o efeito de químicos como o dióxido de azoto (NO2) que se alojam no corpo humano.

O estudo, publicado recentemente na BMJ Open, aponta para que entre 131 mil londrinos com mais de 50 anos, 2200 desenvolveram demência num período de sete anos.

O Diário de Notícias ressalva que não ficou provada uma ligação causal entre a poluição e a doença, mas os cientistas descobriram que quem vive nas cinco áreas com níveis mais elevados de partículas finas (PM2,5) tinha mais 20% de probabilidade de desenvolver demência durante o tempo em que decorreu a investigação.

Além disso, os expostos aos cinco níveis mais altos de NO2 tinham mais 40% de probabilidade, mesmo considerando a idade, classe social e hábitos de vida.

Frank Kelly disse ao The Times que apesar de os resultados não serem conclusivos no que toca ao estabelecimento de uma causa direta, “tem aumentado a perceção de que os impactos da poluição do ar na saúde vão além dos pulmões“.

O investigador principal do estudo explica que a investigação surgiu na sequência de uma realizada em 2017, no Canadá, a partir da qual se concluiu que entre 2,2 milhões de pessoas que vivam próximo de estradas mais movimentadas tinham um risco 12% maior de demência.

Além disso, aponta o estudo recente, além de ser muito provável que a poluição provoque a demência, pode também aumentar o risco de desenvolver a doença. “A poluição atmosférica está ligada a muitas doenças e por isso existe uma evidência inegável de que devemos melhorar a qualidade do ar nas cidades para melhorar a saúde pública.”

Em Portugal
Segundo o mais recente relatório Health at a Glance, da OCED, publicado no ano passado, Portugal é o quarto país com maior prevalência de demência entre os 44 países analisados. Em 2017, só o Japão, Itália e Alemanha apresentavam mais casos de demência por cada mil habitantes.

Com o envelhecimento da população portuguesa, estima-se que em 2037 Portugal ultrapasse a Alemanha, adianta ainda a Visão.

Além disso, o mesmo relatório aponta que, em 2015, 24% da população portuguesa este exposta a níveis de partículas finas inaláveis acima do recomendado pela OMS.

ZAP

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