A 10 de Julho de 1985, agentes dos serviços secretos franceses detonaram duas bombas no navio Rainbow Warrior, da Greenpeace, atracado no porto de Auckland, na Nova Zelândia, resultando na morte do fotógrafo português Fernando Pereira.
O afundamento do Rainbow Warrior constitui um dos mais graves episódios de violação da soberania nacional e de terrorismo de Estado em tempos de paz. O navio da organização ambientalista Greenpeace preparava-se para liderar uma frota de protesto contra os testes nucleares franceses no atol de Mururoa, no Pacífico Sul. A operação, designada “Opération Satanique”, foi executada por agentes da Direcção-Geral de Segurança Externa (DGSE) da França, sob ordens directas do governo de François Mitterrand.
Duas explosões sucessivas rasgaram o casco do navio pouco antes da meia-noite. A segunda explosão ocorreu quando o fotógrafo português Fernando Pereira regressou a bordo para recuperar o seu equipamento, custando-lhe a vida por afogamento. O incidente provocou uma crise diplomática sem precedentes entre a França e a Nova Zelândia. Inicialmente, o governo francês negou qualquer envolvimento, mas uma investigação policial neozelandesa rigorosa levou à detenção de dois agentes franceses que se faziam passar por turistas suíços.
Confrontada com provas irrefutáveis, a França acabou por admitir a responsabilidade meses depois. O escândalo levou à demissão do Ministro da Defesa francês e à reforma dos serviços secretos.
Para o movimento ambientalista, o Rainbow Warrior tornou-se um símbolo de resistência e o sacrifício de Fernando Pereira permanece como um marco na luta contra a proliferação nuclear e na defesa dos oceanos.

