Investigação apurou que os suspeitos do E-Toupeira usurparam credenciais de uma magistrada para aceder a informação de processos.
Os funcionários judiciais arguidos na Operação E-Toupeira foram apanhados em escutas telefónicas e vigilâncias da Polícia Judiciária (PJ). De acordo com informações recolhidas pelo JN, o teor das interceções telefónicas e vigilâncias ajudou a consolidar os dados que já resultavam de uma auditoria informática efectuada pelo Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça: a partir de computadores da Comarca de Braga alguém acedia ao processo dos emails, então em segredo de justiça, mas com credenciais de uma pessoa de Lisboa.
No caso, a procuradora Ana Paula Vitorino, actual assessora de Maria José Morgado, procuradora distrital de Lisboa, foi vítima de usurpação de identidade informática.
Os mesmos indivíduos também acederam a inquéritos sobre os rivais, incluindo dirigentes dos leões e dos portistas. As escutas e as ações de vigilância revelaram que os suspeitos conspiraram com o assessor jurídico da SAD do Benfica sobre processos que envolvem os rivais dos encarnados, Sporting e F. C. Porto.
Em causa estão inquéritos em segredo de justiça pendentes no Ministério Público de Lisboa e que, a par do caso dos emails, também despertavam a atenção de Paulo Gonçalves. Este homem de confiança de Luís Filipe Vieira foi libertado, ficando apenas proibido de contactar com os restantes quatro arguidos, podendo continuar a trabalhar na Luz. Já o oficial de justiça José Nogueira Silva ficou preso.
Tudo isto estará sustentado em escutas e vigilâncias em que foram implicados os funcionários judiciais Nogueira Silva e Júlio Loureiro.
Alexandre Panda, Nelson Morais e Nuno Miguel Maia | JN

