O fenómeno da violência filio-parental está a aumentar em Portugal, ou pelo menos a tornar-se mais visível. Nos últimos três anos (2022-2024), a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou 2.813 pais e mães agredidos pelos seus filhos, um aumento de 27,1% no período. Contudo, a associação alerta que quase metade das vítimas não apresenta queixa, mantendo a agressão em silêncio.
Os dados da APAV mostram uma subida constante: 815 casos em 2022, 962 em 2023 e 1.036 em 2024. Para a criminóloga Cynthia Silva, da APAV, este aumento “pode significar que há mais vítimas a procurarem apoio”, o que é positivo. No entanto, a especialista sublinha o dado alarmante dos 48% de casos que não chegam às autoridades.
A principal razão para este silêncio, explica, é a “vergonha, a culpa, a vergonha de dizer que estão a ser vitimadas pelos próprios filhos”. Acresce o medo de retaliações ou das consequências legais para os agressores, levando os progenitores a querer “proteger” os filhos, mesmo sendo vítimas. A manutenção da “harmonia familiar” aparente e situações de dependência são outros fatores.
O perfil da vítima é maioritariamente feminino (80%) e idoso (58% com mais de 65 anos). Já os agressores são maioritariamente homens (69%) e adultos (63% entre 18 e 64 anos). A APAV destaca ainda que muitas vítimas sofrem em silêncio durante anos antes de pedirem ajuda pela primeira vez. Como a maioria destes crimes ocorre em contexto de violência doméstica (crime público), a própria APAV pode apresentar queixa, mas tenta sempre que seja a vítima a fazê-lo.
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