Portugal registou um excesso de 1.609 mortes entre o final de dezembro de 2024 e o final de janeiro de 2025, um período marcado pela epidemia de gripe e por temperaturas extremas, afetando sobretudo mulheres e os mais idosos. A conclusão consta do Relatório Anual do Programa Nacional de Vigilância da Gripe, divulgado esta terça-feira pelo Instituto Ricardo Jorge (INSA).
O relatório detalha que o excesso de mortalidade por todas as causas coincidiu com o pico da atividade gripal e com o frio intenso, um fenómeno observado também noutros países europeus. A época gripal 2024/2025 foi caracterizada como “longa”, com maior intensidade entre dezembro e março.
Os dados mostram que a gripe afetou sobretudo crianças e jovens (5-14 anos), enquanto a COVID-19, que continuou a circular (maioritariamente a linhagem BA.2.86 da Ómicron), teve maior proporção nos mais velhos (65-79 anos).
No que toca aos casos graves de gripe, os hospitais reportaram 125 internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), na sua maioria homens com mais de 55 anos e com doenças crónicas pré-existentes (86,4%). O dado mais preocupante é que, entre estes doentes graves com recomendação para a vacina, apenas 34% estavam efetivamente vacinados contra a gripe sazonal.
O INSA sublinha que o perfil da epidemia de gripe do último inverno foi “consistente com as épocas anteriores pré-COVID”, sugerindo um regresso aos padrões sazonais, e reforça a “importância da vigilância” e da “vacinação contra a gripe sazonal”. O relatório alerta ainda para o facto de os vírus A(H3N2) que circularam terem sido distintos da estirpe vacinal e aponta o vírus da gripe aviária A(H5N1) como uma “ameaça para a saúde pública”.
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