Um estudo do Conselho Europeu de Relações Externas revela que 68% dos europeus sentem uma deterioração geral no continente. Apesar de 73% defenderem a unidade e a integração política, a maioria dos inquiridos manifesta uma forte crise de confiança na capacidade de resposta das instituições comunitárias e dos governos nacionais.
Um novo estudo promovido pelo European Council on Foreign Relations (ECFR), sob coordenação do investigador sénior Paweł Zerka, traça um quadro de ceticismo e crise de confiança na opinião pública europeia. O trabalho baseou-se em 5.800 entrevistas realizadas em França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Polónia e Reino Unido, para além de analisar o debate político e mediático em 15 Estados.
Os resultados apontam que 68% dos inquiridos associam a situação atual a uma deterioração geral ou perda de normalidade, contrapondo com apenas 12% que identificam uma fase de renovação. Relativamente às principais ameaças, 43% destacam os conflitos armados e a instabilidade bélica, 33% apontam as incertezas económicas e 29% sublinham a urgência de autonomia estratégica. Face a este cenário, 74% dos europeus consideram que a União Europeia e os respetivos governos falham na apresentação de respostas adequadas, com 56% a temerem pelo futuro do continente.
Apesar do desencanto com a gestão política, 73% dos inquiridos continuam a apoiar a integração, a paz e a prosperidade europeias, sendo que apenas 13% pretendem a redução do projeto comunitário ou a sua dissolução. Paweł Zerka adverte que este desfasamento entre ambição e desconfiança fomenta narrativas políticas extremadas assentes no declínio da Europa.

