O número de doentes a aguardar por uma cirurgia no Serviço Nacional de Saúde além do Tempo Máximo de Resposta Garantida aumentou 17,9% no primeiro semestre de 2026, atingindo cerca de 88 mil pessoas, de acordo com os dados oficiais divulgados pelo Portal da Transparência do SNS.
Os dados consolidados do Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde (SNS) relativos ao primeiro semestre de 2026 apontam para um agravamento nos tempos de espera cirúrgica na rede pública. O total de doentes a aguardar intervenção para lá do Tempo Máximo de Resposta Garantida (TMRG) subiu 17,9% em termos homólogos, perfazendo cerca de 88 mil utentes nesta condição.
No total, a lista de espera cirúrgica atingiu mais de 278 mil pessoas em junho de 2026, o que representa um aumento global de 4,2% em relação ao mesmo mês de 2025. A contração da atividade programada explica grande parte deste cenário, tendo os hospitais públicos realizado menos cerca de 20 mil intervenções face aos primeiros seis meses do ano anterior, uma descida de 4,7%.
O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), Xavier Barreto, considerou o panorama “preocupante” e representativo de constrangimentos estruturais de resposta no SNS, solicitando diretrizes do Ministério da Saúde para viabilizar produção cirúrgica adicional.
A Direção Executiva do SNS indicou que a redução da produção se deve, essencialmente, à diminuição do recurso a trabalho extraordinário pelas equipas, medida inserida nas metas orçamentais da tutela.

