As indústrias têxtil e cerâmica apelaram ao Governo para reativar o programa Apoiar Gás, face ao aumento insustentável dos custos de energia. A subida ameaça a viabilidade das empresas portuguesas e a manutenção do emprego nestes dois setores fulcrais da economia nacional, fortemente afetados pelas faturas do gás natural e eletricidade.
As indústrias transformadoras portuguesas, destacando-se os setores da cerâmica e do têxtil, alertaram formalmente o Governo para os impactos severos da escalada contínua dos custos da energia. Em causa está a necessidade de reativação imediata de um mecanismo de compensação financeira equivalente ao programa «Apoiar Gás», estabelecido inicialmente para responder à crise energética originada pelo conflito na Ucrânia.
De acordo com os dados apresentados, o aumento estrutural dos preços compromete a laboração das fábricas, o cumprimento de encomendas e a preservação do emprego. Ricardo Silva, presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), sublinhou a criticidade para subsetores dependentes de processos térmicos, como a fiação e estamparia. Cerca de 50% das empresas do setor têxtil possui contratos de taxa variável, registando uma triplicação nos encargos energéticos. Sem medidas de alívio, várias unidades ponderam suspender ou encerrar a atividade.
No setor cerâmico, a Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria (APICER) indicou que o preço do gás natural saltou de 32 para 80 euros por megawatt-hora (MWh). Este acréscimo de 150% atinge diretamente a alimentação dos fornos de laboração contínua. As associações reiteram que a persistência destes valores agrava a competitividade externa das empresas de Portugal e exige uma ação imediata no decorrer do ano 2026.

