A vinte e nove de setembro de mil novecentos e quarenta e um, forças de ocupação alemãs deram início à execução em massa de dezenas de milhares de judeus na ravina de Babi Yar, nos arredores de Kiev, naquele que se tornou um dos mais mortíferos episódios de fuzilamento durante a Segunda Guerra Mundial.
A vinte e nove de setembro de mil novecentos e quarenta e um, as forças armadas do Terceiro Reich e destacamentos de segurança deram cumprimento a uma diretiva de extermínio contra a comunidade judaica de Kiev. Após a tomada da capital ucraniana, cartazes oficiais ordenaram que toda a população judaica comparecesse num cruzamento designado, com documentos e bens pessoais, sob o pretexto de reinstalação noutra região.
Milhares de civis, maioritariamente mulheres, crianças e idosos, dirigiram-se ao ponto fixado e foram conduzidos até à ravina de Babi Yar, situada nos limites urbanos. No local, foram forçados a despir-se, a entregar todos os valores e a avançar em pequenos grupos em direção ao desfiladeiro, onde fuzileiros das unidades do Sonderkommando 4a, apoiados por forças policiais alemãs, disparavam consecutivamente com armas automáticas.
O procedimento prolongou-se até ao dia seguinte, com os corpos a caírem em camadas sobrepostas no fundo da ravina, posteriormente cobertos com terra e detonados para ocultar as evidências físicas. Registos oficiais alemães contabilizaram trinta e três mil setecentos e setenta e um assassinatos nas primeiras quarenta e oito horas. O local permaneceu ativo durante toda a ocupação militar alemã até finais de mil novecentos e quarenta e três, servindo de vala comum para prisioneiros de guerra soviéticos, doentes e opositores políticos. Babi Yar permanece como um dos marcos fundamentais da documentação forense e jurídica do Holocausto.

